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E o terrorismo chega ao esporte

A s práticas intimidatórias, com o intuito de disseminar o medo e a insegurança por meio do terror são a marca registrada dos grupos terroristas. O pano de fundo que cobre e envolve o terrorismo engloba questões como religião, etnia, etc. Entretanto, engana-se quem pensa que o terrorismo limita-se a uma disputa entre ocidente e oriente, pois, o viés que separa e alimenta a fúria é um pouco mais profundo e atende por nome diverso: política, que não conhece fronteiras geográficas, culturais ou religiosas.

É a disputa por territórios, influência e, acima de tudo, poder, que movimenta o terrorismo e cada vez mais propaga os grupos de extermínio. Atualmente não se pode atribuir força ou liderança a um único grupo, até mesmo pela característica peculiar de comando que atua de forma horizontal, ou seja, várias células autônomas entre si. É inegável que o medo propalado pelo Hamas, Hizbollah, Talibã, Al-Qaeda é muito mais forte e consistente do que as forças que o combatem.

O alvo, corriqueiramente, é o governo da nação escolhida para o ataque terrorista, em uma clara disputa por poder. Em um passado recente, era mais fácil identificar a disputa política quando os movimentos eram internos ou nacionalistas, como os atentados ocorridos na Irlanda, pelo Ira, e na Espanha, com o Eta. Após o atentado de 11 de setembro, nos Estados Unidos, foi apresentado ao mundo que a sofisticação terrorista aumentou e adveio conjuntamente com o uso indiscriminado de armas químicas, homens bomba.

O principal enfoque dos grupos é a produção do terror e, infelizmente, uma nova forma de espalhar a insegurança coletiva surgiu. O atentado à delegação de futebol do Togo, promovido pelo inimigo oculto, demonstra que o medo pode emergir em qualquer momento, seja no trabalho, no descanso ou até mesmo no lazer. E a insegurança em não se conhecer o próximo passo é que fomenta o terror, tanto é verdade, que a seleção do Togo retirou-se da Copa Africana de Nações, por temer pela segurança e pela integridade de seus atletas.

A seleção do Togo, em verdade, foi mais um alvo à conveniência do terrorismo, mas o objetivo fulcral da investida era outro: afetar o governo angolano, ou seja, uma disputa política acerca da independência de Cabinda. O governo de Angola sequer discute a questão, uma vez que Cabinda responde por 80% da produção de petróleo daquele país. No entanto, a região sequer faz fronteira com a Angola.

O ataque tem como fundamento alterar a emoção das pessoas, o clima amistoso e, com isso, o lazer produzido pelo esporte ganhou contornos de insegurança. Outras delegações já pediram o incremento da segurança, alguns jogadores de futebol presentes já demonstraram preocupação com sua segurança e, até mesmo com sua vida. Nesse diapasão não há como negar: o terrorismo chegou ao esporte. E em ano de Copa do Mundo, como proceder? Se nem o esporte está salvo dos terroristas como se proteger em um evento que reúne 32 nações diferentes?

O exemplo recente dos Estados Unidos, que decidiram por atacar indiscriminadamente o inimigo oculto, produziu mais problemas do que soluções. Diplomacia também não parece ser um caminho viável, já que os grupos guerrilheiros têm a consciência de que ao mostrar seu líder este se transforma em um alvo fácil. O poder corrompe as pessoas e as nações e o terrorismo é a mostra cabal de que a cobiça não possui limites.

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