Edson Bez de Oliveira, 64 anos, está em seu sexto mandato consecutivo. Passou uma vez pela assembleia legislativa e nos demais assumiu o posto de deputado federal. Atuou como secretário de infraestrutura no governo de Luiz Henrique da Silveira. Nasceu em Gravatal e trabalhou até os 20 anos na lavoura, junto aos pais. Mais tarde, mudou-se para estudar. É formado em ciências contábeis e passou em um concurso para a Caixa Econômica Federal. Atuou como gerente bancário em Lages, São Miguel do Oeste, Porto União, Pomerode, Tubarão, Araranguá e Criciúma. Quando foi promovido a gerente, mudou-se de Tubarão. E voltou quando iniciou a carreira política.
Letícia Matos
Tubarão
Notisul – Qual sua avaliação do resultado das eleições?
Edson Bez – Tive uma expressiva votação de 102.633 votos. Porém, a nossa coligação diminuiu em um deputado. Tínhamos dez e ficamos com nove. Sempre falei que a concorrência é estadual. Não é só local ou na região. Ficamos na primeira suplência, faltando 1733 votos para colocarmos mais um deputado. Há um sentimento de perda da nossa região e é verdadeiro. Elegemos somente um deputado estadual, José Nei Ascari (PSD), de Grão-Pará. Ele foi o único candidato do partido, de Paulo Lopes até Passo de Torres, e fez uma expressiva votação, 70 mil votos. Só que o PMDB, por exemplo, tinha quatro candidatos. O deputado Manoel Mota, Ada De Luca, Evandro Almeida e o Luiz Fernando, o Vampiro. O Nei concorreu sozinho. São lições que tiramos e vamos aprimorar. Ele é um bom deputado, meu amigo particular, e virou o representante único da Amurel. É pouco pelo tamanho da região. E, para deputado federal, por pouco a gente não perde o que tem. Como vou assumir a câmara dos deputados ou uma secretaria no estado, continuarei na vida política porque é importante para nós e sei do trabalho que precisamos desenvolver daqui para a frente.
Notisul – Pela primeira vez, desde 1982, a região não terá nenhum deputado na câmara federal. A que o senhor atribui a sua não reeleição?
Edson Bez – Aumentei a votação. Se repetíssemos o número de deputados, eu estava dentro. Mesmo assim, faltaram apenas poucos votos. Isso é um fator. O outro foi a enxurrada de votos que os deputados de fora fizeram aqui. Precisamos refletir, e nós faremos isso na hora certa com a sociedade tubaronense. É necessário nos conscientizarmos da importância de fazer com que isso não ocorra mais.
Notisul – Circula na região o seu maior interesse em assumir alguma secretaria no governo de Colombo e Eduardo Moreira. Deixar de assumir como deputado não implica em mais perdas para a nossa região?
Edson Bez – Entendo que não, embora eu não tenha definido ainda. O governador já se colocou à disposição. Eduardo Moreira conversou comigo e disse o seguinte: “Tu escolhe o lado que quer”. Bom, mas esta decisão está pendente. Temos o prazo até a próxima quarta-feira para entregar a prestação de contas. Depois, o governador fará uma viagem e, na sua volta, eu, o Eduardo, o Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e o Colombo conversaremos. Mas onde eu estiver, vamos fazer um bom trabalho com resultados positivos. Acredito que faremos deste limão uma limonada.
Notisul – O senhor foi secretário do estado da infraestrutura no primeiro mandato de Luiz Henrique da Silveira. Caso assuma alguma secretaria, a sua primeira opção é esta pasta?
Edson Bez – Obviamente que se for a de infraestrutura, já entro lá trabalhando porque conheço. Temos muitos torcedores pedindo para que eu vá para Brasília e mais ainda para que fique aqui. Interessante, porque se tivesse ganhado direto não teria esta possibilidade. Agora tenho esta opção e farei a escolha junto aos meus amigos, companheiros e lideranças.
Notisul – Dois deputados federais do PMDB demonstraram interesse na pasta da infraestrutura, Mauro Mariani e João Rodrigues. Qual sua análise, já que foram eleitos para atuar no legislativo e não no executivo?
Edson Bez – Isso é uma verdade. Você sabe que eu não conclui o mandato do Luiz Henrique na secretaria. O próprio governador fez um apelo e ainda usou a expressão: “Edinho, tu entrou comigo e sai comigo, preciso de ti”. Mas eu disse que existia uma cobrança das pessoas que votaram para eu ser deputado. E ocorre isso. Inclusive há discussões em Brasília que quem se elege para vereador continue vereador, pois ele foi eleito para ocupar esse cargo. E deveria ser assim. Mas a legislação permite. E é essencial você ter alguém com experiência para ajudar o governo do estado. No nosso caso – eu, Mauro e João – é importante pegarmos uma secretaria porque, com certeza, teremos mais facilidades em buscar recursos, fazer contatos em Brasília. Eu, principalmente, desculpa a falta de modéstia, mas estou há 20 anos na capital federal. Mas estou tranquilo, seguro, com mais conforto nisso tudo porque estou na primeira suplência.
Notisul – A sua votação aumentou em relação a 2010. Porém, ficou como primeiro suplente por 1733 votos pela coligação do Colombo e Eduardo. Se já tivéssemos a reforma política em prática, o que seria diferente?
Edson Bez – Quanto à reforma política, também me considero culpado por não ter ocorrido, pois sou um integrante do Congresso Nacional. Mas não conseguimos adiantar porque a maioria do norte e nordeste não desejava mexer. Vamos ser franco! Para o corrupto, aquele que ganha eleição no dinheiro com compra de votos – e 90% dos que ganharam são os que têm mais dinheiro – a reforma não vale a pena. Porque é o seguinte: a liderança vale, mas ela vai até o limite. Avalio que 60% dos eleitores votam conscientes. Não vai ter um cabo eleitoral com dinheiro na rua comprando voto, não vão mudar a cabeça dele. Só que esses 60% são divididos. E os 40% dos que anulam e vendem, estes fazem a diferença. Então quem tem o dinheiro vai lá e compra esses votos e isso está escancarado. Desafio alguém a me contestar. Até porque tenho conversado com os deputados. É tão ridículo que, hoje, quem não tem muito dinheiro não se elege. E quem é uma boa liderança, me considero um bom líder, tem que ter, no mínimo, um pouco de dinheiro. As reformas que defendo são a unificação das eleições com prazo de cinco anos, acabar com financiamento privado e a questão do voto.
Notisul – Uma das suas metas é o senado em 2018. Se assumir como secretário isso pode dificultar ainda mais? Ou esse projeto não faz mais parte dos seus planos políticos?
Edson Bez – Continua. A minha votação me credencia a ser candidato a governador, a senador, vice-governador, deputado federal, estadual, o que vir pela frente. Estou de cabeça erguida, pois há um reconhecimento. E sou candidato ficha limpa. Vou continuar, não vou ficar fora do processo. Há um sentimento de perda, desastre em termo de resultado eleitoral. Mas tenho impressão que isso foi bom. Até porque também vou parar para refletir com a minha equipe, temos que fazer correções.
Edson por Edson
Deus – Sou um homem de fé
Família – Excepcional
Trabalho – Adoro, sou apaixonado
Passado – Valeu
Presente – Reflexão
Futuro – Começa agora
"Sempre fui contra coligações, mas precisei me adaptar. Aí, em uma campanha um fala mal do outro e, na outra, estão se abraçando no palanque. Isso é uma desmoralização"!
