Início Opinião Elegia para uma Morte Catarina (1)

Elegia para uma Morte Catarina (1)

É comum as pessoas dissiparem, festiva ou inconscientemente, seu patrimônio. Frequentemente, o fazem com os argumentos que melhor respondem a seus interesses, ou mesmo sem argumento nenhum. A história não é nova; já está registrada em um dos mais antigos livros da humanidade: a Bíblia Sagrada, ao narrar a parábola do Filho Pródigo.

Assim, os catarinenses, desfazendo-se sem maior consciência, além das eternas razões de ordem financeira, ou dos mercados, de um de seus mais significativos patrimônios. Na transação, esqueceram que o Besc constitui-se em um dos fatores de maior importância na definição e no desenvolvimento do modelo de ser de Santa Catarina, um estado desconcentrado, de renda, economia, cultura, qualidade de vida, população, e cidades, tudo bem distribuído por todo seu território, modelo participativo que beneficia toda sua população.

No entanto, a importância da presença do Besc nesse processo não é fato do passado. A continuidade do Besc – o Banco do Estado de Santa Catarina, ou dos catarinenses – seria essencial para dar continuidade e sustentabilidade a esse modelo, no futuro.
Cito, em relação ao passado e como exemplo, sua participação na construção do sistema de ensino superior catarinense com suas 14 universidades regionais. Este modelo único no Brasil, como, aliás, tantos outros modelos catarinenses, permite o acesso de quase 200 mil catarinenses à universidade, longe proporcionalmente, do mais elevado número de oportunidades de acesso entre os estados brasileiros. O Besc esteve presente na construção desse sistema e, como ex-presidente da Acafe e da Fessc, hoje Unisul, presto meu testemunho.

Outros testemunhos em relação à presença do Besc podem ser dados por empresários, comerciantes, profissionais liberais, agricultores prefeitos e governadores e também políticos do PSD ou da UDN, antigamente, depois da Arena ou PDS, hoje parece-me que do DEM, do PMDB, ou do PT – um banco que podiam adequar às suas características e às necessidades dos catarinenses em seus mais variados segmentos. Agora… os grandes sistemas financeiros… o Banco do Brasil, todo deles… ou este ou aquele, presente em 140 países – os indianos, os argentinos, os chineses, os africanos, os canadenses, os espanhóis, todos iguais aos catarinenses. Todos com as mesmas características e necessidades…como as nossas.

Trata-se, na condenação a esses negócios, de preservar o modelo catarinense – essencialmente humano, diante da ameaça do domínio dos sistemas globais para quem Santa Catarina e os catarinenses nada significam – são apenas um número, aliás, um pequeníssimo número.

Isto não é conservadorismo, nem regionalismo xenófobo. Não é porque uma análise maior, menos alegre e mais consciente, mostraria que existem formas alternativas de inserir-se no mundo, e de construir o futuro, sem perder a identidade. Preocupa-me o futuro, não o passado. Preocupa-me a integração global, não o regionalismo. (Continua na edição de amanhã).

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