Início Opinião Ensino que, de fato, ensine: ‘o peso’ da família

Ensino que, de fato, ensine: ‘o peso’ da família

Maurício da Silva
Professor e mestre em Educação

Considerando que o ensino brasileiro pouco ensina (no PISA, é o 59º entre 70 países e na Prova Brasil 2015, apenas 30% dos alunos que concluíram o Ensino fundamental “aprenderam o adequado” em Português e 14% em Matemática), abordo, nesta série de textos, fatores decisivos para que o ensino, de fato, ensine.
Afirmei, em ‘Família e Escola’ (jornal A Notícia, 31/07/2005), que ‘a escola não irá muito longe, em seus propósitos de formar/educar sem a participação efetiva dos pais’. Importantes, também, evidentemente, os demais fatores.

Afirmei, ainda, que ‘é preciso inserir as famílias no processo de aprendizagem dos filhos’. E isto é muito mais que o simples “estimular que as famílias visitem as escolas e realizem tarefas de interação com os filhos” (LEI Nº 16.877/ 15/01/2016).

Essa afirmativa implica inverter duas práticas danosas para a aprendizagem. Assim, em vez de as famílias apenas apanharem os resultados escolares dos filhos ao final do bimestre, participarem da construção deles. Em vez de a escola apenas se queixar da omissão das famílias, orientá-las (e, se necessário, acioná-las junto às autoridades) desde o primeiro dia de aula, sobre como deve ocorrer tal participação.

De que forma? 1) Dizendo aos pais como disciplinar o filho com o horário da tarefa, que se constitui o principal impulsionador da aprendizagem (porque ‘exercita’ o conteúdo da aula anterior, facilitando o desempenho da próxima), desde que a escola: a) passe (as tarefas) todos dias (para criar o hábito diário de fazê-las); b) corrija, também, todos os dias (senão, demonstra ao aluno que não é importante); c) ‘cobre’ do aluno e dos pais e, se preciso for, acione as autoridades, caso o educando, continuamente, não as fizer, pois, conforme o Código Penal, estará em situação de abandono intelectual,.

2) ‘Entregar’ às famílias, no primeiro dia do bimestre, datas de todas as provas para que possam ajudar na cobrança da intensificação dos estudos, os quais devem ser diários, sobretudo e além de serem feitas as mencionadas tarefas de casa.

3) Enviar às famílias as provas corrigidas para que assinem e para que, em caso de baixo rendimento, dirijam-se, de imediato, à escola e questionem sobre as providências a serem tomadas (e quais recomenda aos familiares) com vistas ao estudante aprender o que ainda não aprendeu.

4) Orientar as famílias a comparecerem à escola sempre que forem chamadas ou que detectarem problemas de comportamento/rendimento dos filhos.

5) Oportunizar às famílias que participem dos Conselhos de Classe, para que, junto à direção, especialistas, professores e alunos da turma, analisem o bimestre anterior (quanto a rendimento, evasão, repetência, faltas dos alunos e dos professores) e determinem metas para o bimestre seguinte, somadas ao que cada um vai fazer para que elas sejam atingidas.

Quanto custa agir, impulsionando a aprendizagem? Nenhum centavo.

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