Quando se imaginava que havia findado o estoque de notícias ruins sobre a educação na nossa região, surge a do fechamento da Escola João 23, no bairro Passagem, em Tubarão. A alegação oficial é a falta de alunos. Poderia ser compreensível, se tal falta não fosse provocada pelo péssimo gerenciamento regional da escola. Quando fui Gerente Regional de Educação, junto do então diretor da referida escola, professor Wanderlei da Rosa e equipe, instalamos o curso de manutenção de computadores. O sucesso foi tal que faltou espaço para os tantos alunos, nos turnos matutino, vespertino e noturno. Muitos profissionais que atuam no mercado de trabalho se formaram lá.
Depois veio outra gestão e acabou tudo. Os alunos lotam escolas com cursos que lhes deem perspectiva de emprego e renda (principalmente em áreas de baixo nível sócio econômico como é a atendida pela escola João 23) ou de sucesso no ingresso de cursos superiores concorridos. Ninguém perde tempo com curso que leva a lugar nenhum.
O problema da escola foi agravado, segundo relatos indignados de alguns professores, quando a Gerência de Educação, além de nada fazer para atrair os alunos, estimulou-os a estudar em escolas de outros bairros, por meio da doação de passes escolares. Duplo erro. O zoneamento determina que o aluno estude na escola mais próxima da sua casa. A função da mencionada Gerência é exigir o cumprimento. Jamais ser ela própria a descumprir, o que abre precedentes para que alunos de outras comunidades exijam tratamento idêntico. O esfolado contribuinte vai pagar passes escolares para mais alunos irem do bairro Passagem para o bairro Santo Antônio de Pádua ou outros, quando poderiam estudar na sua própria localidade. Soma-se a isto a perda de tempo com deslocamentos e outros.
Para piorar, a referida gerência foi extremamente incompetente para gerenciar projetos que deveriam atrair alunos e melhorar o ensino: O projeto ‘Escola em tempo integral’, que é realidade nos países desenvolvidos, durou apenas um ano. Depois veio o “Ensino Médio Inovador”, com todas as promessas de infraestrutura, nunca cumpridas. Razão principal da perda de alunos e de protestos públicos da comunidade escolar. Em vez das providências vieram as retaliações.
A referida gerência fez o mais fácil: organizar desculpas para fechar a escola João 23 em vez de implementar cursos que descortinem futuro promissor para os alunos. Fez, por meio de solicitação à Secretaria de Estado da Educação, que aceitou por meio de ofício datado de 23 de dezembro de 2104, mas só divulgado pela Gerência, agora, no início do ano letivo de 2015.
Projetos não funcionam apenas com o nome bonito. É preciso infraestrutura (que não veio), credibilidade para agregar os envolvidos, coragem para ‘cortar’ vícios, gestão, capacitação de pessoal envolvido, constante acompanhamento para evitar desvio de finalidade e, como mencionado, perspectiva de futuro para o aluno.
Tamanha incompetência deveria ser punida. Mas, pelo visto, será promovida.
