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‘Estou com muita saudade’, diz brasileira de 8 anos separada da mãe nos EUA

“Estou com muita saudade”, diz a menina ao telefone, entre soluços, para o desespero da mãe, a mineira Paula, que não aguenta e chora também. O diálogo é o retrato da política antimigração do governo de Donald Trump, que tem sofrido duras críticas, inclusive da ONU, por, ente outras medidas, permitir a separação das crianças e dos pais detidos por entrar no país ilegalmente.

Entre 5 de maio e 9 de junho, 2.342 crianças e adolescentes foram separados das famílias e hoje dormem no chão em gaiolas de metal. Foi o que aconteceu com Paula e a filha, de 8 anos, presas três semanas atrás porque estavam ilegalmente nos Estados Unidos. As informações são do Correio Brasilziense.

Elas cruzaram a fronteira do México em 1º de maio e, depois, se apresentaram voluntariamente às autoridades de migração. A mãe foi detida e ficou presa no Texas por cinco dias, enquanto a criança foi enviada a um abrigo em Chicago, no estado de Illinois, onde permanecia até esta terça-feira (19/6), quando Paula falou com o Correio. 

Desde então, a brasileira só conseguiu falar com a filha por duas vezes ao telefone. O Correio teve acesso a parte da última conversa, que aconteceu no domingo (17/6). A criança chora ao telefone, pede que a mãe entre em contato com uma assistente social para que sua liberação ocorra, conta como é sua vida no abrigo e diz que sente muitas saudades. 

Paula precisa, agora, por meio de documentos e entrevistas com assistentes sociais, comprovar que é apta a cuidar da filha. “É a coisa mais absurda. Criei ela por oito anos e, agora, tenho de provar se posso cuidar dela”, diz. “Até lá, não tenho autorização para viajar a Chicago e ver minha filha”, desespera-se.

A brasileira acredita que não será deportada, ao menos não imediatamente. Segundo ouviu de autoridades americanas, quando provar que pode cuidar da filha e elas estiverem juntas novamente, será aberto um processo migratório, que deve durar alguns meses. Assim, tem esperanças de morar na América. “Está nas mãos do Senhor.”

Apesar das duras críticas que vem recebendo de sua política migratória, Donald Trump se mantém firme. Na segunda-feira (18/6), depois de se indispor com aliados na Europa, ao anunciar medidas protecionistas, o presidente americano atacou a política migratória do continente para justificar a decisão de separar crianças dos pais que tentam entrar ilegalmente nos EUA. 

“Os Estados Unidos não serão um campo de migrantes e não serão um complexo para manter refugiados. Se você olhar o que está acontecendo na Europa, nós não permitiremos que isso ocorra aos EUA”, declarou. 

“Os migrantes poderiam ser assassinos, ladrões e outras coisas. Nós queremos um país seguro, e isso começa pelas fronteiras. E assim será”, acrescentou o magnata, que culpou os democratas por “serem fracos em relação à segurança fronteiriça e aos crimes”. “Mudem as leis!”, escreveu no Twitter.

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