
Eduardo Zabot
Laguna
A instalação do parque Nova Laguna, cujo objetivo é produzir energia a partir dos ventos, já é uma realidade. A Fundação do Meio Ambiente (Fatma) liberou a licença ambiental para a construção da estrutura. A garantia é que a estrutura esteja pronta e em funcionamento até setembro de 2015.
“São 66 torres que vão produzir energia naturalmente. O prazo é estipulado pelo governo federal. Os projetos estão prontos e cadastrados para o registro da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”, relata o proprietário da empresa Consult, de Porto Alegre, engenheiro civil Léo Fredi Riffel.
Ao todo, serão cinco parques eólicos em duas áreas distintas. A área total é de 27,36 quilômetros quadrados. A estimativa é gerar de 150 a 200 empregos diretos após a conclusão do projeto. Durante a fase de implantação, é projetada a abertura de 700 postos de trabalho.
Para o prefeito Everaldo dos Santos (PMDB), esta é uma grande oportunidade de desenvolvimento para o município. “É, sem dúvida, mais uma grande estrutura para Laguna, que vai aquecer o comércio e desenvolver a região”, destaca.
Inicialmente, é previsto que o serviço de implantação dos parques dure cerca de 18 meses. Serão investidos R$ 540 milhões, com financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O próximo passo é a empresa participar de um leilão do governo federal, no dia 25 de outubro. “Esse leilão será decisivo. Se os preços estiveram baixos, não poderemos vender a energia por um preço baixo, mas ainda é cedo para avaliar isso. O certo é que a obra vai ocorrer”, ressalta Léo.
Geração eólica
A empresa Consult atua no ramo da engenharia e do agronegócio. Em Laguna, o grupo possui fazendas de gado há 27 anos. São nestes espaços que há a pretensão de iniciar o projeto Complexo Eólico Nova Laguna. A partir da captação de investidores nacionais e internacionais, a meta é colocar torres – os chamados cataventos -, na região da Madre, em frente à Lagoa do Camacho, às margens do Rio Tubarão. Em média, cada torre terá capacidade de gerar 2 megawats de potência, com custo de instalação de R$ 10 milhões cada. “Em princípio, estimamos efetuar um investimento entre R$ 750 milhões e R$ 1 bilhão, para gerar entre 150 e 200 megawatts de energia”, adianta o engenheiro Léo Fredi.
Laguna tem um dos maiores potenciais do Brasil
Os olhares dos empreendedores interessados em investir na energia eólica voltaram-se para Laguna em 2001, quando o governo federal realizou uma vasta pesquisa sobre as regiões brasileiras capazes de receberem parques eólicos.
Laguna ficou classificada como um grande potencial a ser explorado. A instalação do Complexo Eólico Nova Laguna deverá gerar em média de 200 empregos, entre diretos e indiretos. A usina poderá gerar royalties e impostos para o município. Além disso, a produção de energia eólica não atrapalha a pecuária ou a agricultura local.
O funcionamento é simples e o impacto ambiental bastante pequeno, especialmente se comparado a outras fontes de energia. O vento gira uma hélice gigante conectada a um gerador que produz eletricidade. Quando vários mecanismos como esse – conhecido como turbina de vento – são ligados a uma central de transmissão de energia, a quantidade produzida cresce e pode abastecer toda uma cidade. Ainda: a quantidade de energia gerada por uma turbina varia conforme o tamanho das suas hélices e, claro, do regime de ventos na região em que está instalada.
Saiba mais…
• Ao contrário do que se imagina, a energia eólica é utilizada pelo homem muito antes da lâmpada surgir. Desde a antiguidade, as embarcações e os moinhos eram movidos pela força dos ventos.
• O que impede a instalação de mais centrais eólicas ainda é o preço. A energia gerada pelos ventos custa entre 60% e 70% a mais que a mesma quantidade gerada por uma usina hidrelétrica, por exemplo. Por outro lado, há a grande vantagem de ser inesgotável e causar pouquíssimo impacto ambiental.
• Atualmente, apenas 1% da energia gerada no mundo provém deste tipo de fonte. Porém, o potencial para exploração é enorme.
• O Brasil tem um dos maiores potenciais eólicos do planeta. O país responde por cerca da metade da capacidade instalada na América Latina, mas representa apenas 0,38% do total mundial.
• Atualmente, existem 34 usinas (algumas ainda estão em obras) eólicas no Brasil. A maioria fica no norte e nordeste do país. Juntas, têm capacidade para gerar cerca de 443.284 kW.
• Em Santa Catarina, três usinas são construídas: duas no município de Água Doce e a terceira em Bom Jardim da Serra.
• Na região, Laguna é um dos municípios com maior potencial para abrigar parques eólicos. Há pouco mais de seis anos, a empresa Enesan, de Florianópolis, já tentou investir na cidade. O projeto previa a instalação de uma usina na região do Farol de Santa Marta. Contudo, questões ambientais frustraram o investimento e o projeto foi abandonado.