A semana iniciou com bons motivos para exercícios de reflexão. Também para algumas recordações. Na segunda, dia 11, comemorou-se em todo o Brasil o Dia do Estudante. Também o Dia do Advogado. Na mesma data, conforme o calendário da Igreja Católica, teve início a Semana da Família. Na Unesc, foi um dia de música e homenagens aos mais de 12 mil alunos que todos os dias dão vida ao campus. A igreja, sabemos, tem lá sua agenda semanal de encontros, reuniões, orações e reflexões sobre família nas comunidades da região. A título de ilustração e esclarecimento, uma explicação didática e histórica antes: o Dia do Estudante se comemora na mesma data em que foram instituídos os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do Brasil, por Dom Pedro 1º, no século 19. Em razão dessa marcante decisão, Celso Gand Ley, 100 anos após a criação desses cursos, em 1927, indicou a data para se tornar o dia do estudante. Dez anos depois, na mesma data 11 de agosto, em 1937, portanto, foi criada a União Nacional dos Estudantes (UNE), órgão máximo representativo dos estudantes no Brasil. Na história recente, a resistência dos estudantes (leia-se UNE) ao Golpe de 64 e os “caras pintadas do Fora Collor” ilustram o papel transformador das novas gerações.
O leitor pode estar pensando: “o que uma coisa tem a ver com a outra?”. Vou tentar esclarecer. Se contextualizarmos os tempos presentes, cujas inovações tecnológicas modificam a cultura e dão origem a novas classificações entre gerações (baby bommers, Y, X, Z, etc.), vemos também uma constatação geral sobre a aceleração dos processos sociais, mudanças comportamentais, valores e distanciamento crescente entre gerações. Individualismo, materialismo, consumismo, falta de diálogo e tantos outros ismos tão propalados e debatidos atualmente. Nesse sentido, podemos começar a vislumbrar um ponto em comum entre esses assuntos aparentemente dissociados: tanto os jovens estudantes quanto a família podem ser de fundamental importância para as mudanças que a sociedade parece reclamar.
Os estudantes, se além da tecnologia receberem formação e orientação humanista e responsável, podem sim ser uma das chaves para as correções de rotas (humanas, sociais e ambientais, por exemplo) que inegavelmente precisamos. E a família, quer queiramos ou não, e não obstante os maus exemplos da televisão, continua sendo uma célula mater, a base da sociedade. E é dentro dela, principalmente, que os jovens devem receber a orientação, os valores e os direcionamentos hoje também tecnológicos. Já pensaram nessas fantásticas redes sociais cada vez mais a serviço do bem e do belo? Isso nos aproximaria do que previu o gênio Einstein quando disse: “É fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma percepção nítida dos valores. Tem de aprender a ter um sentido bem definido do belo e do moralmente bom”. E a família é o ninho onde se cultivam os valores e se definem as condutas e atitudes futuras. Muito longe de moralismos pueris, penso que nunca precisamos tanto de referências e exemplos que possam fazer frente à cultura da vantagem, da corrupção, da ostentação, da violência e da indiferença quase predominante em nossa sociedade.
Precisamos sim de líderes e famílias capazes de orientação para a cooperação, a solidariedade, o respeito, a sensibilidade, a honra e tantos outros importantes valores quase desaparecidos nestes dias apressados. Jovens estudantes bem orientados e referência de família são sim fatores de esperança e mudança num mundo em transformação.