
Zahyra Mattar
Braço do Norte
Animadora a reunião entre representantes da Biogastec e do banco alemão KFW com o diretor de operações do Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Neuto de Conto. A empresa pretende implantar 100 usinas de biogás no sul brasileiro em até cinco anos. Os projetos estão em fase bastante adiantada.
Para viabilizar o investimento, a Biogastec busca apoio do BRDE. Os equipamentos a serem utilizados nas usinas são alemães, nação que domina a extração de energia a partir dos dejetos de suínos. A primeira usina será implantada em Braço do Norte, na comunidade de São Maurício, com um investimento que poderá chegar a R$ 30 milhões.
A SCGás também integra o projeto, já que será a compradora do biogás produzido nas usinas. O presidente da Biogastec, Heinz-Peter, afirma que a viabilidade do projeto é tão grande, que estudos da empresa apontam a possibilidade do sistema tornar o Brasil independente da importação de gás da Bolívia em cerca de dez anos.
Neuto de Conto afirma que o BRDE poderá financiar grande parte do valor interno do financiamento, mas para a questão do investimento externo, para a aquisição dos equipamentos alemães, é necessário uma estruturação por parte do KFW Bankegruppe.
O banco alemão é considerado uma espécie de BNDES no país europeu. O diretor da instituição para o Brasil, Jurgen Kern, que também participou do encontro, afirma que esta estruturação está em fase avança e não será problema.
A usina de São Maurício
A escolha da Biogastec por Braço do Norte Não foi aleatória. Região com concentração recorde de suínos no mundo, o Vale representa 9% da produção de suínos catarinense e deve receber investimentos nos próximos quatro anos para implantação de cinco usinas de biogás.
Com projeto pronto e licenciado, a primeira usina será instalada na localidade de São Maurício, onde há uma produção estimada de 11,6 mil metros cúbicos por dia de biometano. O investimento previsto pode chegar a R$ 30 milhões.
As outras usinas estão cotadas para ficarem nas comunidades de Cachoerinha (duas unidades), São José (uma) e Pinheiral (uma). Essas localidades perfazem um raio de coleta que apresenta o melhor custo logístico e aproveitariam mais de 80% de todo o dejeto produzido na região.
Em São Maurício, a usina será implantada na SC-482. O local terá capacidade para coletar dejetos de pelo menos 25 granjas das proximidades, além de resíduos de frigoríficos e industriais locais.
O empreendimento terá capacidade para processar 700 mil litros de resíduos por dia, com uma geração estimada em 6,8 milhões de metros cúbicos de biogás por ano.
Em quatro anos, com a possibilidade de implantação de mais quatro usinas, a produção pode chegar a quase 100 mil metros cúbicos de gás natural por dia, o equivalente a mais de 5% do gás distribuído pela SCGás atualmente.
Mais do que uma solução ambiental
Além de apresentar uma nova solução ambiental para a bacia do Rio Tubarão, o biogás produzido será também transformado em energia elétrica e térmica para ser consumida pela própria usina. O gás carbônico gerado será utilizado no abate dos animais e serão produzidos biofertilizantes, que auxiliarão nas atividades das propriedades. O projeto contempla ainda a utilização de frota de caminhões movidos a BioGNV. Ou seja: o gás gerado pelas usinas será utilizado como combustível nos veículos responsáveis pelo transporte da matéria-prima até as usinas.
O consórcio
A Empresa Catarinense de Bioenergia engloba as marcas Engemab Engenharia e Meio Ambiente, F&K Participações, Excelência Engenharia e Sócio Ambiente e TLL. Juntas, formaram com a Biogastec do Brasil uma sociedade de propósito específico que objetiva a implantação de usinas de biogás em território catarinense.
A Biogastec em números
Quando em funcionamento, as usinas de biogás em Santa Catarina têm projeção de faturamento anual de R$ 6 milhões. A cifra é o equivalente ao aproveitamento de um milhão de metros cúbicos por dia de dejetos de suínos. A Biogastec estima produzir, ao ano, quatro milhões de metros cúbicos de gás biometano, 2,6 milhões de metros cúbicos de CO2 e 18 mil toneladas de biofertilizantes sob processo anaeróbico, que agrega o fator ambiental. O projeto que será implantado em Braço do Norte, primeira região do país escolhida pelos investidores, tem como referência a tecnologia alemã, cujo país que possui 7,3 mil usinas de biogás em operação atualmente.
Biogás no estado
A suinocultura representa 7,5% do PIB catarinense, primeiro estado produtor e livre da febre aftosa sem vacinação. Santa Catarina possui dez milhões de cabeças de suínos, o que representa mais de 20% do plantel nacional. A projeção é que em cinco anos, a produção no estado aumente 60%. Em parceria com a BR Foods e Biogastec do Brasil, a SCGás também capitaneia o desenvolvimento de estudos para viabilizar usinas de biogás no oeste catarinense. Além do Vale do Braço do Norte, existe, estudos em andamento à implantação de empreendimentos em Faxinal dos Guedes e Concórdia.