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Flores à polis

 

É a capital que reproduz acima de seus frutos e filhos um céu colossal, é bela, é forte, num impávido colosso. Fora o tempo, em que por Meiembipe era denominada pelos carijós, primeiros desfrutadores dessa terra adorada. Batizada posteriormente de Ilha de Santa Catarina, por Sebastião Caboto, resultado de uma história atordoada, passa à categoria de cidade. Nossa Senhora do Desterro, então, a vila fundada pelo bandeirante Francisco Dias Velho, a quem de acordo com Virgílio Várzea (1900): “A verdadeira história da Ilha e de todo o Estado começa, pois, segundo historiadores, com a pequenina colônia fundada por Francisco Dias Velho Monteiro (…)”, morto na invasão de piratas, e que partiu com sua vila saqueada e queimada, morrendo dentro da capela que construiu (onde hoje, é a Catedral de Florianópolis). Nossa Senhora se vai do nome, tornando apenas, Desterro. Passa por um desenvolvimento urbano, tornando-se em 1823, capital da província de Santa Catarina.
 
O ano de 1894 vincula a polis, a Floriano. Havia peixes, mas havia, também, Peixoto. A ilha dos aterros, abençoada de Santa Catarina. A cidade que abriga em seu berço esplêndido o cartão-postal metálico, construída em 1926, em 2011 não é transitada, a não ser pelos operários da reforma. 
 
Florianópolis é decretada por lei, por Hercílio Luz, conceituando uma cidade, deixando o exótico de Desterro, buscando o otimismo. Ondina e toda sua poesia exuberante do vai e vem das ondas do mar, daquela vez foi e não mais voltou. Somos frutos de uma época e, como tais, as razões da mesma ferviam à flor da pele, emocionais, cívicas e políticas as causas combinantes entre si, gerando um gene dominante: Florianópolis, a cidade de Floriano, decretado no terceiro dia da posse de Hercílio Luz, fazendo parte ainda das comemorações da vitória republicana e hercilista.
 
Faz-nos oportuno ressaltarmos que um homem é apenas um homem, – insisto, fruto de sua época -, um nome é apenas um nome, e a história? Não começou conosco, e não acabará conosco, mas é feita por todos nós. Sendo assim, o povoamento deu-se por açorianos, índios que por aqui já se encontravam, domesticados ou não, negros talvez escravos, talvez não, pessoas vindas por acaso, pessoas de outras origens, viajantes perdidos, piratas, ou aventureiros ao som do mar e à luz do céu profundo. 
 
Precisamos de datas? Sim. Encontramos-nos em 2011. E espera-se que Nossa Senhora do Desterro abençoe a todos aqueles que hoje vivem em terra adotiva, mais precisamente em Meiembipe, o “lugar acima do rio” como preferiam os indígenas do litoral. 
 
Seja qual for a conotação pelo nome ao qual nossa capital foi rebatizada, imaginamos que, definitivamente, foi símbolo de uma transformação política, da qual nascem novas perspectivas para o estado. Mas seu nome nos remete primeiramente a sua imagem, que a congelemos, então, com muitas flores, na polis.
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