
Jailson Vieira
Jaguaruna
O aviso meteorológico da última quarta-feira, que previa condições de alagamentos devido à maré alta nas regiões mais baixas do litoral catarinense entre quinta-feira e ontem, se concretizou na madrugada deste sábado. Com as fortes mudanças na temperatura, o mar ficou agitado e provocou a chamada ressaca no Canal da Barra do Balneário Camacho, em Jaguaruna, e nas praias do Gi e Mar Grosso, em Laguna.
Na Cidade das Praias, os bombeiros voluntários foram acionados por volta das 2h30min, e realizaram os trabalhos até as 5h30min. Duas ruas próximas à ponte do Canal da Barra ficaram alagadas. Algumas residências foram tomadas pela água, porém somente a moradora Maria Salete Machado Silveira Rabelo foi resgatada com auxílio da embarcação da corporação. Em diversos locais, o nível chegou a quase um metro.
A moradora revela que perdeu muitos pertences em decorrência do alagamento. Maria Salete afirma que a água só invadiu a sua residência e dos vizinhos por causa da retirada de dunas no local. “Isso só ocorreu porque deixaram tirar areia do Canal. Reclamávamos, mas eles diziam que tinham autorização. Os representantes do Meio Ambiente não resolvem aquilo”, lamenta.
Outro morador, Antônio Dutra, que também teve a casa invadida, compartilha com o mesmo sentimento de Maria Salete. “Todos os sábados são vários caminhões de retirada de areia, gostaria de saber do Ibama porque eles não fiscalizam neste dia. Moro aqui há sete anos, mas em 25 anos que essa casa foi construída não há registros que a água tinha entrado aqui”, conta.
Na Cidade Juliana, os estragos foram menores, não houve registros de casas invadidas, porém até o início da noite de ontem, em alguns locais do Mar Grosso e do Gi, a faixa de areia ainda estava coberta pela água. “As pessoas passam pelo Gi e hoje (ontem) é impossível trafegar por lá. A água chegou a invadir a avenida”, queixa-se o servidor público Elvis Palma.
Cidades da região registram temperatura abaixo de 0ºC
O fim de semana foi gelado em Santa Catarina. Em Tubarão, ontem, às 6h23min, a temperatura chegou a -1ºC e a sensação térmica era de -5ºC. De acordo com a Epagri/Ciram, a tendência é que a geada continue. Diversos locais na região amanheceram brancos, como os gramados.
Hoje, o fenômeno pode ocorrer entre o Oeste ao Planalto do estado com algumas chances no litoral. A tendência é que o frio diminua gradativamente a partir de amanhã. Em São Martinho, às 7 horas, os termômetros registravam -5ºC.
As cidades mais frias do estado são as mais altas das regiões do Meio-Oeste, Planalto Sul e Planalto Norte, entre as quais estão Caçador, Curitibanos, São Joaquim, Irineópolis, Campo Alegre e Matos Costa. Os municípios de Urupema e Urubici vêm marcando temperaturas bastante baixas, especialmente Urupema, que registrou ontem -6,6ºC, às 5 horas. Na madrugada deste domingo, foram registradas temperaturas negativas em 38 municípios das regiões Sul, Oeste, e Grande Florianópolis.
A baixa temperatura, porém, representa muito mais que a chegada de uma nova estação climática para o estado catarinense. Significa oportunidades e aquecimento na economia, com um grande número de turistas que procuram pousadas, hotéis, restaurantes e comércio. A maioria das pousadas e hotéis estão com boa lotação desde a quarta-feira passada.
Conforme o presidente da Santa Catarina Turismo (Santur), Valdir Walendowsky, a expectativa é receber 200 mil turistas na serra catarinense durante a temporada de frio (outono e inverno). Em 2015, a serra registrou cerca de 180 mil turistas. “As previsões de baixas temperaturas e a possibilidade de neve atraem mais visitantes. Outros fatores significativos são os investimentos em infraestrutura, além da iniciativa privada com novos hotéis, pousadas, cafés e restaurantes”, destaca o presidente.
Em São Martinho, ontem o dia amanheceu com a temperatura de -5 ºC
Foto:Divulgação/Notisul
Congestionamento na serra
Desde o início da manhã de ontem, a SC-390, entre Lauro Müller e Bom Jardim da Serra, registrou um bom número de volume de veículos. O frio intenso dos últimos dias tem levado muitos turistas à serra. Devido ao fluxo de carros, congestionamentos foram registrados. A média ao dia é de 700 veículos, ontem o número ultrapassou seis mil.
Temperatura causa interrupção de energia
Por causa do frio, o fornecimento de energia elétrica foi suspenso por quase sete horas em Lauro Müller. A temperatura de -2ºC registrada na cidade afetou os dois transformadores da Celesc, responsável pelo fornecimento de energia no município. A cidade ficou às escuras entre 6h50min e 14h30min. Conforme o gerente regional da Celesc, Enaldo Santos, a baixa temperatura no local fez com que os equipamentos não correspondessem e, desta forma, entrassem em colapso, interrompendo o fornecimento.