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Fórum parlamentar na Unisul, absoluta perda de tempo

 

A convite de um assessor do deputado federal Edson Bez de Oliveira (PMDB), participei, como simples espectador, da segunda edição, neste ano, do Fórum Parlamentar Catarinense, ocorrida na Unisul, na manhã do último dia 2. 
 
Coordenada por seu presidente, o deputado Edinho – como é conhecido -, a ideia e os objetivos do fórum era destacar e discutir a pauta dos pleitos de maior relevância para o desenvolvimento da região sul catarinense e que necessitam de recursos e empenho, sobretudo, do governo federal.
Não obstante tais pleitos já serem por demais conhecidos, não custa relembrar os mais significativos: conclusão da duplicação da BR-101;
conclusão do aeroporto regional de Jaguaruna; conclusão do porto de Imbituba; além de outros não menos relevantes, como o turismo serra-mar, a ferrovia norte-sul, a rodovia Interpraias, melhorias na saúde, segurança, prevenção de catástrofes, etc.. 
 
Para tanto, o fórum contou com a presença de vários parlamentares; dentre eles, o senador Paulo Bauer, os deputados federais Esperidião Amin, Ronaldo Benedet, Odacir Zonta, Celso Maldaner, Mauro Mariani, Carmen Zanotto e Jorge Boeira, de secretários e deputados estaduais, prefeitos, associações empresariais e de classe, além de cidadãos, assim como eu.
Vislumbrava-se, ao menos para mim, que o fórum seria para discutir e demonstrar a pertinência de temas de luta contra as amarras e burocracias que, via de regra, imperram e dificultam a conclusão dessas obras tão cruciais para o desenvolvimento da região. Esperava-se a unificação das lideranças políticas e empresariais num só objetivo, de modo a se obter dos órgãos afins, uma resposta concreta, eficaz e conclusiva acerca desses anseios. Mas qual a minha surpresa e frustração?
 
A reunião que poderia e deveria ser o grande momento para estruturar uma cooperação e diálogo políticos em torno de um só propósito, com pragmatismo, postura impositiva e marcação cerrada – sem submissão nem ranços ideológicos -, contra esse discurso factício de falta de recursos do governo federal e que está impondo cortes orçamentários ao estado de Santa Catarina, tornou-se, ao meu juízo, um mero “encontrão” político, oportunizando um palco de exibicionismos fúteis e de discursos eleitoreiros. 
Que pena! Quanto tempo se perdeu com “abobrinhas” e assuntos alheios ao propósito do encontro, a exemplo da discussão de qual time será o campeão catarinense de futebol. Seria a camisa da Chapecoense mais importante do que a pavimentação da estrada entre Orleans e Pedras Grandes?
 
O tempo que fora destinado ao debate – de três horas – que por si só já era exíguo, ficou ainda mais prejudicado por conta dos inúmeros anúncios a cada nova “liderança” que chegava e das repetitivas e desnecessárias saudações a cada fala que se sucedia e que foram muitas, diga-se. 
 
Para não ser injusto, ressalvo o pronunciamento do presidente da Agência de Desenvolvimento Regional da Amurel (Adram), Murilo Bortoluzzi, que solicitou apoio para o Roteiro Turístico Serramar; e do prefeito de Imbituba, Beto Martins, que lembrou da importância da duplicação da rodovia que ligará o porto à BR-101.
 
Quanto a este último, especificamente, não por sua inegável competência político-administrativa, tampouco pela amizade que mantemos, valho-me de sua participação no fórum para destacar e distinguir compromisso com a causa pública da simples retórica e do faz de conta.
 
Diferentemente de outros, não se ateve ao fato de seu clube, Imbituba Futebol Clube, ter sido rebaixado à segunda divisão do futebol catarinense. Se ateve – sábia e inteligentemente – às questões relativas ao seu município e ao fórum. Foi conciso e objetivo no seu discurso. Entregou o projeto em mãos do presidente do fórum e pediu resultados. Teve atitude; e atitude faz a diferença.
 
Se a Chapecoense eliminou o Avaí, ou se o Criciúma será o campeão, não diz respeito ao fórum. A camisa da Chapecoense não é e nunca será mais gloriosa do que a do Ferroviário ou Hercílio Luz. Infelizmente, muitos representantes e responsáveis pelas questões que envolvem os nossos interesses ainda não se deram conta disto. Talvez seja uma das razões do porquê em Santa Catarina tudo ser tão difícil de se concretizar.   
 
Faço coro e me associo ao comentário do professor Valter Alves Schmitz – pró-reitor da Unisul, verbis: “A pauta do Fórum Parlamentar Catarinense foi investida ao grau de compreensão e aos interesses das categorias regionais. Priorizou-se as falas dos deputados federais, o que tornou a abrangência dos temas muito rasantes, quase sem significado. Por último, já com a plenária vazia e os políticos dispersos e conversando em paralelo sem qualquer atenção, aos poucos relatos efetivamente regionais que se deram. Infelizmente, este foi o cenário ao se recepcionar o fórum; quase que um tempo perdido”.
 
Lembro, ainda, que o local do próximo Fórum Parlamentar Catarinense ficou condicionado, por sugestão de um dos deputados federais presentes, a ser realizado na cidade do vencedor entre Criciúma e Chapecoense! Precisa dizer mais alguma coisa? Na minha modesta avaliação, não precisa ser sábio para prever o resultado. Alguém tem dúvidas?
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