Início Opinião Fosfateira: menos falatório, mais debate e ação

Fosfateira: menos falatório, mais debate e ação

O falatório (quando deveria ser debate) em torno da possível fosfateira de Anitápolis remete para a necessidade de compreensão e ação, segundo dois conceitos – (ação no local x desenvolvimento local), recomendados pelo Penud – programa das Nações Unidas para o desenvolvimento.

Ação no local é o que historicamente se faz, não importando o meio ambiente e a distribuição de renda. Como foram os casos – para citar os mais próximos – da extração de carvão em Lauro Müller, Siderópolis e Treviso, ficando estes últimos, conhecidos como “superfície lunar”, tal a profundidade da destruição. Finda a riqueza natural, levantaram-se os acampamentos e, com eles, toda infraestrutura, restando, além do passivo ambiental, o abandono e a miséria a quem ali permaneceu. É uma ação toda exógena com promessa de prosperidade com tempo certo de duração, neste caso, 33 anos.

Desenvolvimento local, pelo contrário, é predominantemente endógeno, com características e métodos próprios que buscam, em primeiro lugar, o bem-estar da comunidade local, protagonista de todo processo.
Ainda segundo o Penud, o desenvolvimento local “é tido atualmente como a estratégia mais eficaz de combate à pobreza, pois busca inserir os excluídos no processo de discussão e decisão das alternativas de desenvolvimento”.

É estranho que, em pleno século 21, dos fortíssimos apelos ambientais, uma empresa multinacional lance-se num empreendimento desse porte e importância, ignorando recomendações internacionais e nacionais (Banco do Brasil e Caixa Econômica somente financiam empreendimentos que assumem esses compromissos), sem antes chamar a comunidade, primeiramente a local, e depois as possíveis atingidas, para fazer os esclarecimentos e apresentar as garantias. Se o tivessem feito, poderiam, quem sabe, em vez de críticas e contestações, cada vez mais fortes, estar recebendo aplausos e agradecimentos. Afinal, propõem-se a gerar muitos empregos, pagamento de impostos para a municipalidade e produção de fertilizante, importantíssimo insumo para o mundo, especialmente para o Brasil – grande produtor agrícola, mas que ainda o importa em grande quantidade.

Estranha-se, ainda, o fato de os órgãos ambientais, principalmente os governamentais, também não o terem feito, especialmente a secretaria de desenvolvimento regional, que possui um corpo técnico (Projeto Meu Lugar) especializado nessa temática.
Não canso de repetir os exemplos de duas cidades (Banglori, na Índia e Villa Del Salvador, no Peru) apresentados numa Conferência Mundial sobre o tema. A primeira foi transformada em um dos maiores centros de tecnologia do mundo, mas mantém os mesmos níveis de miséria (ação no local). A segunda, formada há 40 anos por invasores, egressos das periferias de Lima, em pouco tempo resolveram os problemas de falta de água potável, desnutrição e analfabetismo (desenvolvimento local). Faz-se necessário ressaltar: apenas abundantes recursos financeiros não resolvem os problemas.
Diante da aludida fosfateira em Anitápolis, cessem os falatórios e iniciem-se os debates já!

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