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Fraternidade 2015: igreja e sociedade

ACampanha da Fraternidade realizada pela primeira vez em âmbito nacional em 1964 é um grande instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão, renovação interior e ação comunitária, como a verdadeira penitência, que Deus quer de nós, em preparação à Páscoa. É uma oportunidade de despertar a educação para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor – exigência central do Evangelho. 

Quaresma é tempo de abertura para o mistério da dor e da morte; da cruz e do crucificado. Neste mistério, somos conduzidos à graça da vida plena, à ressurreição, que é a transformação do mistério da dor, da morte, da cruz, em vida nova, em ressurreição, onde só existe paz e alegria. A Quaresma, caminho de identificação com Cristo, requer jejum, oração e esmola. Jejum é abster-se, esvaziar-se, abrir-se. Oração é aproximação, busca do amor de Deus; a busca de coração pelo Pai.

Trata-se de intimidade! Esmola/caridade é partilha de vida, cuidado amoroso, liberdade de entrega, serviço! A esmola é envio para o próximo. Trata-se do “Encontro com aqueles que o estado e a sociedade não querem” (Madre Teresa de Calcutá). Esmola é o exercício para o crescimento e fidelidade da nossa filiação divina: sermos bons e generosos como Deus o é.

A campanha convida a refletir, meditar e rezar a relação entre igreja e sociedade. O tema é “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, e o lema “Eu vim para servir” (Mc 10,45). A campanha ajudará a “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo, a colaboração entre a igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para edificação do Reino de Deus” (Objetivo Geral da CF 2015). Sociedade vem de socius (companheiro) e id. (que diz da força, vigor; força e vigor do socius). A força que faz e deixa ser companheiro. Uma sociedade é sociedade quando todos participam do conviver, do decidir e não permitem a exclusão de uma pessoa.

O Concílio Ecumênico Vaticano II recordou que a igreja é Reino de Deus, Povo de Deus.Assim, é o novo Povo de Deus. Os cristãos, como participantes da sociedade, levam seus valores e compromissos, ajudam a construir uma sociedade justa e de paz. A Igreja, as comunidades de fé, os cristãos, são ativos na sociedade. Eles, pelo diálogo e caridade, cuidam dos excluídos da sociedade. Como diz o Papa Francisco: “prefiro uma igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças… Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis”…

A campanha será uma chance de retomar os ensinamentos do Concílio Vaticano II; que nos levam a ser uma igreja atuante, participativa, consoladora, misericordiosa… Maria, Mãe de Deus e nossa, nos acompanhe na caminhada quaresmal, para sermos mais a presença da igreja que serve a todos. Caminhemos todos com Jesus para Jerusalém e participemos com ele da dor, da morte e da ressurreição. A coleta da solidariedade –  O tempo da quaresma deve produzir frutos: o primeiro, de conversão quaresmal. O segundo, a oferta na coleta da solidariedade, a ser realizada no Domingo de Ramos, destinada aos pobres. Com este gesto, a igreja dá um testemunho de fraternidade e aponta o caminho cristão da partilha (At 2,45) para a superação das grandes desigualdades nas estruturas da sociedade. Destina-se também a combater a fome no mundo por meio de uma ação promovida pelas Caritas, com lema: “Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas” quando 50% da arrecadação serão entregues no Haiti. A coleta não se resume a mera doação; deve expressar o empenho quaresmal de conversão. As comunidades sejam exortadas para a vivência deste gesto concreto desde o início da quaresma.

 

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