Início Geral Greve dos caminhoneiros: Paralisação segue por tempo indeterminado

Greve dos caminhoneiros: Paralisação segue por tempo indeterminado

Jailson Vieira

Tubarão

As interdições de rodovias federais e estaduais promovidas pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) continuarão por tempo indeterminado. Em um balanço divulgado pela Abcam, foram contabilizados interdições em 19 Estados. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que a mobilização foi ainda maior, atingindo 21 unidades federativas.

Em Tubarão, os caminhões estão concentrados no Posto Osório, às margens da BR -101, no bairro São Cristóvão, desde segunda-feira à noite. Em Jaguaruna, Laguna e Imbituba também há grandes manifestações. Em todos esses locais, os caminhoneiros param os que ainda trafegam pela rodovia.

Na Cidade Azul, nesta terça-feira (22), por volta das 19h, cerca de 200 caminhoneiros participavam do protesto, entre eles três profissionais naturais do Paraguai. De acordo com um dos líderes da manifestação no local, um jovem tubaronense de 30 anos e que há nove desempenha a função, afirmou que esta é a hora de todos se unirem pela causa.

“Era para a toda população ir às ruas. Só para se ter uma ideia, entre 60 e 70% temos de despesa o óleo, pedágio, borracheiro, o eixo erguido e todos os tributos. É preciso abraçar a causa e mostrar que podemos. Somos fortes! Não vamos continuar pagando a conta desses políticos que roubam e essa atitude já virou um círculo vicioso. Temos o apoio da comunidade, da polícia, dos comerciantes, mas queremos que eles estejam juntos conosco. Não queríamos ficar aqui, mas é necessário. A nossa vontade era de estar trabalhando, mas se não lutarmos hoje, como vamos querer um futuro melhor?”, questiona o jovem caminhoneiro.

Ele destaca que esta briga não é apenas dos caminhoneiros, mas de todos que esperam um futuro promissor. “Nossa luta é contra a corrupção, contra as leis absurdas que só favorecem esses políticos e seus apadrinhados. Normativas estas que autorizam a venda do petróleo e do pré-sal, e tudo por ‘debaixo dos panos’ e a preço de banana. Essas riquezas podem ser deixadas em ‘casa’, os moradores desse país precisam acordar, ou será tarde”, alerta o manifestante.

Moradores e comerciantes doam alimentos aos manifestantes

Durante todo o dia, os manifestantes receberam alimentos da população e dos comerciantes da região do bairro São Cristóvão, em Tubarão. A equipe de reportagem do Notisul esteve no local e conferiu algumas histórias de apoio ao grupo de manifestantes. Hoje, eles convidam os moradores a participar do ato e também aqueles que puderem para colaborar com alimentos e água. O proprietário do Posto Osório, Alberto Neto, é a favor da manifestação e diz que os donos dos postos também sofrem como os caminhoneiros e toda população brasileira. Já que o governo anuncia alta no valor do combustível quase que diariamente e os postos não podem acompanhar as mudanças com a mesma velocidade.

Vários postos da região como em Jaguaruna, Morro da Fumaça, Sangão e Capivari de Baixo não tinham mais combustíveis. A greve afetou o abastecimento na região. Outras mercadorias como alimentos, produtos de limpeza, por exemplo, poderão faltar nos próximos dias. O tráfego apenas está liberado para caminhões com medicações, como ocorreu ontem à noite em Tubarão, com seis veículos transportando remédios para clínicas e hospitais.

Nesta terça-feira (22), em meio à greve dos caminhoneiros, a Petrobras anunciou uma redução pífia dos preços de gasolina e diesel. A mudança nas refinarias será de R$ 2,0867 o litro de gasolina para R$ 2,0433 e de R$ 2,3716 o litro para R$ 2,3351 o litro do diesel. Porém, os manifestantes afirmaram que não é o suficiente para o fim da greve geral.

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