Inadmissível, sob todos os aspectos, que família tubaronense – ou de outro município – por possuir apenas R$ 100,00 tenha vacinado os filhos contra a gripe A, mas os pais precisem de sorte e dos hábitos de higiene para não serem infectados.
Inadmissível também que, depois do decreto de situação de emergência, em 2009 (tantos foram os casos), Tubarão volte a ter sobressaltos, em 2012, com 13 situações confirmadas, 12 aguardando resultado laboratorial e quatro óbitos.
Infelizmente, a lição de 2009 não foi aprendida. Não se investiu para prevenir e conter. Da tribuna da câmara de vereadores, naquela época, solicitei do Ministério da Saúde, por meio de requerimento, pesquisa sobre o que teria levado nossa cidade ser tão afetada. As autoridades dizem, no máximo, passado todo esse tempo, que “o vírus circula”. Mas por que somos mais suscetíveis? Qual diagnóstico concreto para a prevenção adequada?
Que país é este que somente reage – e mal? Não previne, com pelo menos intensa informação, e não imuniza nem mesmo as pessoas comprovadamente mais pobres. De que vale o título de sexta economia do mundo se, diante da ameaça concreta de morte, famílias veem-se obrigadas a escolher dos seus quais terão maiores possibilidades de sobreviver?
Alegam não vacinação em massa porque não há surto. Também definiram grupos de risco – crianças entre 6 meses e 2 anos, gestantes, portadores de doenças crônicas, pulmonares, imunodeficiência e cardíacos – mas os que vieram a óbito em Tubarão, este ano, estavam fora do tal grupo. Significando, na verdade, que todos estamos em risco.
É evidente que se deve praticar – e sempre – os hábitos de higiene: lavar as mãos frequentemente com água e sabão, manter os ambientes bem ventilados, usar álcool em gel, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar e, se apresentar febre alta, tosse, dor de garganta e falta de ar, procurar um médico. Não é, contudo, suficiente como quis fazer crer a representante do Ministério da Saúde, Márcia Carvalho, semana passada, no Vale do Itajaí. Ela foi contestada pelo presidente da
Associação Catarinense de Infectologia, Antônio Ferreira Miranda, que advertiu: “Quanto mais pessoas vacinadas, menos casos”.
Que país é este que não previne, não contém? Que país é este onde as pessoas trabalham 150 dias do ano somente para pagar impostos, mas, se quiserem educação, saúde, segurança de qualidade e outros, têm que comprar? Ou seja, pagar duas vezes. Que país é este? É o país que todos contribuem para formar através do voto.
