Início Geral Guarda-vidas buscam melhores condições de trabalho

Guarda-vidas buscam melhores condições de trabalho

Imbituba

O número assusta: 372 mil pessoas morrem afogadas anualmente pelo mundo. É a terceira maior causa de morte de crianças entre 5 e 14 anos. No Brasil, foram mais de seis mil em 2015. O terceiro país onde as pessoas mais morrem afogadas. Os dados são do Relatório Internacional de Afogamentos, da Organização Mundial da Saúde. E esta é a realidade também na região Sul. No último mês, três pessoas morreram afogadas entre as praias de Garopaba e Imbituba.

Mesmo com números alarmantes, a situação profissional dos Guarda-Vidas nas praias é desanimadora. São 12 horas de jornada contínua. Em alguns locais, não existem postos, banheiro, sombra ou mesmo água potável. O valor da ajuda de custo diária, obtida mediante assinatura do termo de “Guarda-Vidas Voluntário” é de pouco mais de R$10/hora e serve para cobrir os custos de alimentação e transporte dos servidores. Esta é toda a remuneração de homens e mulheres que zelam pelas vidas no mar. 

Não há qualquer vínculo empregatício, garantias ou amparo nem da prefeitura contratante, nem do Corpo de Bombeiros, que dá o treinamento.  Voluntário há oito anos na região e membro da Associação de Guarda-Vidas e Afins de Imbituba, Matias Rodriguez, relata o descaso com a classe. “Um salva-vidas não é um moleque que você chama para trabalhar no verão. Você tem que estar em condições de fazer esse trabalho e ter conhecimento pra isso”, atenta. 

“Nessa semana, por exemplo, eram dois guarda-vidas para cobrir uma extensão de dois quilômetros na Praia do Rosa. No canto Norte, temos que ficar no sol por horas, ou segurando uma guarda-sol, de pé, porque não tem posto. Se alguém chama do outro lado, é praticamente impossível de ver. A morte por afogamento no Brasil é a segunda causa mais ocorrente depois do trânsito. Sabendo que poderíamos diminuir a zero esse número colocando mais guarda-vidas na beira da praia”, pontua.

Associação aberta à comunidade

Buscando unir forças, em junho desse ano, foi criada a Associação de Guarda-Vidas e Afins de Imbituba, que integra cerca de 90 voluntários em atividade ou não. “Temos a necessidade de um órgão representativo, independente do Corpo de Bombeiros e da prefeitura. Batalhamos pelo reconhecimento da profissão”, explica Fábio Menezes, também integrante da diretoria da Associação. 

A entidade já montou um documento com as principais reivindicações e um Projeto de Guarnição o Ano Inteiro nas principais praias da cidade, como Rosa, Vila e Ibiraquera, e aguarda o agendamento de uma reunião com o Prefeito Rosenvaldo Júnior para apresentação da proposta desde setembro. “Locais como Camboriú e Joaquina, que têm menor circulação de turistas do que aqui, já contam com guarda-vidas o ano todo. Nossas praias já receberam Circuitos Mundiais de Surf e Kitesurf, têm visibilidade internacional, e não têm guarda-vidas suficientes, não têm nenhum bombeiro nos feriados fora da temporada e o pior: o guarda-vidas tem que deixar o posto e entrar na trilha para ir ao banheiro”, dispara Matias.

Em contato com o Conselho de Tursimo de Imbituba (Contur), o Presidente Romeu Pires, informou que o projeto faz parte da pauta da próxima reunião do Conselho, agendada para o dia 23 de novembro, quando será analisado e provavelmente encaminhado ao Gabinete do prefeito. Porém, ele adianta: “Sabemos das necessidades da Associação, mas é muito difícil fazer qualquer encaminhamento ainda este ano. A prefeitura está trabalhando no planejamento para o ano que vem”. 

A Associação busca com a iniciativa privada apoio para melhores condições de trabalho. “Conseguimos oito dos 12 almoços diários para os voluntários. Agora, buscamos melhorar o número de profissionais nas praias e colocar mais postos. É preciso que os que mais lucram com o turismo apoiem e zelem pela vida das pessoas junto conosco”, encerra Matias.

Sair da versão mobile