Um homem de 71 anos foi preso suspeito de fazer saudação nazista em academia de Florianópolis. Segundo testemunhas, ele cumprimentou pessoas dizendo “Hi Hitler” e realizando o gesto com o braço estendido. O caso ocorreu na segunda-feira (23) e foi atendido pela Polícia Militar.
A defesa afirmou que o episódio “não se passou de uma brincadeira” e que não houve intenção de divulgar ideologia nazista. Em audiência de custódia realizada na quarta-feira (24), o suspeito foi solto mediante medidas cautelares.
Testemunhas relataram repetição do gesto
Conforme o documento da audiência de custódia, uma testemunha relatou que já havia presenciado o mesmo comportamento na sexta-feira (20). Na ocasião, o homem teria feito a saudação nazista em academia por várias vezes.
Na segunda-feira, o ato teria se repetido, o que motivou o acionamento da Polícia Militar. Outra testemunha também confirmou ter visto a cena.
Em depoimento, o suspeito confirmou ter feito o gesto e a expressão citada, mas alegou ausência de intenção ofensiva ou de propagação do nazismo.
Ele foi detido pela suposta prática do crime previsto no artigo 20 da Lei nº 7.716/89, que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. O dispositivo considera crime fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos ou propaganda que utilizem a cruz suástica para fins de divulgação do nazismo.
Justiça concede liberdade com medidas cautelares
Durante a audiência de custódia, o Ministério Público se manifestou pela concessão de liberdade provisória, entendimento que foi acompanhado pelo Judiciário.
Entre as medidas cautelares impostas está a proibição de frequentar a academia onde os fatos ocorreram.
A defesa sustentou que a prisão preventiva é medida excepcional e que não estavam presentes os requisitos legais previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal, como risco à ordem pública, à instrução criminal ou possibilidade de fuga.
Em nota, os advogados afirmaram que o episódio ocorreu em ambiente privado e foi interpretado como saudação nazista por algumas pessoas, mas que teria sido uma “brincadeira” sem discurso público ou incitação coletiva.
A defesa também destacou que o investigado é primário, possui residência fixa, é aposentado de cargo público e nunca respondeu a processo criminal.
Academia repudia o ato
Procurada, a academia informou que repudia qualquer tipo de ato discriminatório, incluindo esse tipo de saudação nazista. A empresa declarou ainda que confia na Justiça e que o caso seguirá os trâmites legais.
O mérito da acusação será analisado no curso do processo.
