
Laguna
A saúde financeira do Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, em Laguna, tem sido tema de discussão nos últimos dias. Com déficit mensal maior do que se calculava, o corpo clínico do hospital é um dos maiores afetados. Existem médicos que estão há mais de dez meses sem receber. Eles iniciaram a paralisação dos serviços desde a madrugada desta sexta-feira. A instituição atende apenas os casos de urgência e emergência classificados como vermelho. Os tratamentos em andamento dos pacientes internados também estão mantidos. O hospital mantém um déficit mensal de mais de R$ 200 mil. Em busca de alternativas à entidade que atua há cerca de 162 anos na cidade, o secretário de Estado da Saúde, Vicente Augusto Caropreso, esteve reunido com o prefeito de Laguna e diversas outras autoridades.
Ao se pronunciar, o prefeito Mauro Vargas Candemil mencionou os diversos problemas que o Hospital de Caridade enfrenta e que desde o ano de 2010 aguarda a implantação da UTI. Mauro lembrou ainda que muitos repasses não são feitos à entidade pela falta de Certidões Negativas de Débitos (CND).
Ele afirmou que a prefeitura repassa em dia os valores conveniados, um na ordem de R$ 75 mil para pagamento da hora-plantão dos médicos e outro na ordem de R$ 19 mil, para o pagamento do médico-anestesista. “A questão da paralisação não é de responsabilidade do município, pois, em todos os momentos em que fomos procurados, tentamos da melhor forma possível auxiliar a entidade. Precisamos saber qual a real situação do hospital, pois, ao que tudo indica, é uma questão de gestão”, analisa o prefeito.
O presidente do Sindicado dos Médicos da Região da Laguna, Odimar Pires Pacheco, sugeriu que deve ser feita uma reformulação no hospital. Odimar diz que o correto é que haja uma intervenção e que se faça de imediato uma auditoria para verificar todas as causas do problema. O vereador Osmar Vieira alegou que se trata de má gestão e que é necessário que seja auditado. “Sabemos que os recursos municipais são repassados, só não sabemos a que fim se destinam”, enfatiza.
Secretário de Saúde vai disponibilizar gerente de gestão para auditoria
O secretário de Estado da Saúde citou como exemplo dois hospitais de sua cidade, Jaraguá do Sul. Um tem plena gestão e não apresenta nenhum problema, porém, o outro caminha com muita dificuldade, da mesma forma que o hospital de Laguna. “A diferença está exatamente na administração, pois quem não entende do negócio saúde tem que sair fora. É necessário atuar, enxugar a máquina e administrar de verdade, com pouco gasto e bom atendimento. De nada adianta ter um elefante branco inoperante, é preciso saber quais alas deverão estar abertas e identificar qual a potencialidade do hospital”, frisou. O secretário se propôs a buscar recursos para o próximo ano, sem mencionar valores, porém, salientou que os gastos devem ser reavaliados. Para isso, Caropreso disponibilizará sua gerente de Gestão, a fim de potencializar a entidade e identificar os problemas por meio de uma auditoria. Sem isso, na opinião das autoridades, o problema continuará se arrastando. Ao finalizar, foi questionado sobre a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Sem hesitar, ele disse que a abertura da unidade será como “dar um tiro no escuro”. “Essa UTI é inviável para o município no momento”, admitiu o secretário.
Sem respostas
Direção do hospital aguarda decisões
A diretora-presidente do hospital, Regina Ramos dos Santos, não foi comunicada sobre a reunião com as autoridades municipais e estaduais e aguarda informações. “Não fomos convidados para esta reunião, mas concordamos que se faça uma auditoria técnica. Estamos há bastante tempo pedindo apoio das autoridades para manter o hospital em funcionamento”, conta. O presidente do sindicato dos médicos, Odimar Pires Pacheco, lembrou que a entidade tomou todas as providências e informou os demais hospitais da região, o Corpo de Bombeiros, juízes e promotores sobre a paralisação dos serviços e garantiu que os casos dos pacientes já internados continuarão com seus respectivos atendimentos, assim como os casos de urgência e emergência. Os demais casos serão encaminhados aos hospitais da região.