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Idiotas e porcalhões!

Não jogar lixo nas ruas é uma questão de cidadania. Os cuidados que as pessoas tomam por meio de atos que beneficiam a coletividade nada mais são do que a expressão prática do aprendizado ético que se desenvolveu com a educação. E não me refiro apenas à educação escolar. Esta tem fundamental colaboração no processo de crescimento intelectual. Mas o que na verdade fortalece o bom convívio entre os indivíduos em comunidade é o exemplo vindo de casa. Os pais que ensinam os filhos a não jogarem papéis de balas no chão estão colaborando para a construção do caráter de suas crianças, pois aqueles que aprendem a se comportar adequadamente com as pequenas coisas, dificilmente no futuro se inclinarão a cometer atos reprováveis.

Na teoria, todo mundo concorda que as ruas precisam ser mantidas limpas e organizadas. Por que será, então, que existem por aí tantas placas de aviso do tipo: “Proibido jogar lixo neste local”. Ora, qualquer pessoa, em sã consciência, sabe que o destino final do lixo é na lixeira! Mas infelizmente precisamos levar em consideração que, para alguns seres humanos, a teoria passa bem longe da prática. Tudo bem! Vou tentar ser maleável e pensar do seguinte modo: aceito este tipo de advertência por se tratar de uma boa estratégia de conscientização aos que não foram bem orientados na infância. Mas embora não nos cansemos de alertar, os porcalhões de carteirinha ignoram os conselhos e proibições, e continuam a jogar o seu lixo onde bem entendem. E assim encontramos sérias dificuldades de manter a nossa cidade limpa.  

Vou além. Faço agora uma analogia muito triste de ser admitida. Já que falta consciência, para muitos cidadãos, de colocar a coisa certa no lugar certo, nas próximas eleições, proponho a instalação de placas de advertência nas urnas eletrônicas, com os seguintes dizeres: “Se você quer uma cidade limpa, não jogue lixo nas urnas”. 

Sugiro isso porque sei que encher as urnas de lixo colabora para aumentar a sujeira no seio do poder público municipal. O voto descompromissado é lixo que leva quatro anos para se decompor e, se preservado com a repetição do erro, perdura por mais quatro longos anos. Sejamos realistas! A sociedade que se submete a oito anos de lixo pode adquirir câncer terminal. O processo de descontaminação é lento, doloroso e muitas vezes deixa marcas irreversíveis que adoecem a saúde, a educação e a segurança pública do município. O voto inconsciente de sua importância social é lixo que produz chorume, e seu caldo negro e fétido devasta o solo democrático e acaba com qualquer possibilidade de surgimento de melhores líderes na terra contaminada pela má escolha.

Será que, com as placas de advertência que proponho colocar nos colégios eleitorais não haverá mais o acúmulo de lixo dentro das urnas? Considerando a quantidade absurda de lixo que vejo sendo jogado nos terrenos baldios, onde estão instaladas as placas de “proibido jogar lixo”, não tenho muita esperança de que isso venha a acontecer. Por mais alto que gritemos para alertar os egoístas e interesseiros sobre os perigos das más escolhas, muitos desses pobres de espírito se fingirão de surdos e continuarão com o vício estúpido de depositar o lixo no lugar errado.

Para esses eu estufo o peito e digo: idiotas e porcalhões!

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