Início Geral Incêndios na Amazônia: Brasil envia exército para ajudar a combater incêndios

Incêndios na Amazônia: Brasil envia exército para ajudar a combater incêndios

O líder do Brasil ordenou às forças armadas que combatam incêndios florestais na Amazônia, em meio à indignação internacional pelo aumento do desmatamento.

O presidente Jair Bolsonaro destacou soldados em reservas naturais, terras indígenas e áreas fronteiriças assoladas por incêndios. A mudança é uma aparente reversão de Bolsonaro, que foi acusado de incentivar os mineiros e madeireiros.

Outros países ameaçaram mirar a economia do Brasil se a nação não agisse para acabar com os incêndios. A França e a Irlanda disseram que não ratificarão um grande acordo comercial com nações sul-americanas e o ministro das Finanças da Finlândia pediu à União Européia que considere banir as importações brasileiras de carne bovina.

Em um discurso na televisão na sexta-feira, Bolsonaro disse que os incêndios florestais “existem em todo o mundo” e “não podem servir de pretexto para possíveis sanções internacionais”. Acredita-se que muitos dos incêndios tenham sido iniciados deliberadamente, com suspeita de que os agricultores possam se beneficiar com a existência de mais terras disponíveis.

Bolsonaro tem desprezado ativistas ambientais e declarado firme apoio ao desmatamento de áreas da Amazônia para agricultura e mineração. Especialistas e ativistas dizem que seu governo deu luz verde à destruição da floresta tropical.

Grupos ambientalistas realizaram protestos em várias cidades do Brasil na sexta-feira para exigir ações para combater os incêndios, e manifestantes se reuniram em frente às embaixadas brasileiras em todo o mundo.

A maior floresta tropical do mundo, a Amazônia é uma loja de carbono vital que diminui o ritmo do aquecimento global. É conhecido como os “pulmões do mundo” e abriga cerca de três milhões de espécies de plantas e animais e um milhão de indígenas.

Quais são as novas medidas?

Em seu discurso na televisão, Bolsonaro confirmou que autorizou as forças armadas a ajudarem a combater os incêndios. “Aprendi como militar a amar a floresta amazônica e quero ajudar a protegê-la”, disse ele.

O decreto em si era bastante vago em suas palavras, mas especificou que os militares seriam enviados para reservas naturais, terras indígenas e áreas de fronteira na região.

O envio de soldados será deixado para os governadores regionais que podem solicitar “ações preventivas contra crimes ambientais” e pedir ao Exército que “pesquise e combata os focos de incêndio”.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, deverá supervisionar a ordem e será responsável pela alocação de recursos, afirmou. A ordem inicialmente autoriza a ação por um mês, de 24 de agosto a 24 de setembro.

O que mais os líderes disseram?

Bolsonaro tem enfrentado críticas internacionais por seu tratamento dos incêndios. A chanceler alemã Angela Merkel, o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, chamaram os incêndios de crise internacional.

Merkel chamou de “emergência aguda” e Macron twittou: “Nossa casa está queimando”. Ambos disseram que a questão deve ser discutida na cúpula do G7 deste fim de semana em Biarritz.

Falando em Biarritz no sábado, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse que a UE “está de acordo com o acordo UE-Mercosul, mas é difícil imaginar um processo de ratificação enquanto o governo brasileiro permitir a destruição” da Amazônia.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse na quinta-feira: “No meio da crise climática global, não podemos permitir mais danos a uma fonte importante de oxigênio e biodiversidade. A Amazônia precisa ser protegida”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que falou com o presidente Bolsonaro na noite de sexta-feira. “Eu disse a ele se os Estados Unidos podem ajudar com os incêndios da Floresta Amazônica, estamos prontos para ajudar!”, Trump twittou.

Como o deputado Bolsonaro respondeu?

O presidente do Brasil criticou as críticas e acusou líderes como Macron de se intrometerem em “ganhos políticos”.

No início desta semana, ele chegou a sugerir que organizações não-governamentais haviam iniciado incêndios na floresta tropical – apesar de admitir que não tinha evidências para essa alegação.

Em seu discurso na televisão na sexta-feira, Bolsonaro criticou os disseminadores de “informações infundadas” sobre o compromisso do Brasil com a preservação, insistindo que o país tinha “legislação moderna” para proteger a maior parte de sua floresta.

“Precisamos ter em mente que mais de 20 milhões de brasileiros vivem nessa região”, afirmou. “Precisamos dar oportunidade para o desenvolvimento. Não é apenas sobre proteção.” Ele também descreveu os incêndios florestais como dentro de uma faixa “média” nos últimos 15 anos.

“Estamos em uma estação tradicionalmente quente e seca, com ventos fortes, quando todos os anos temos incêndios florestais”, disse ele. “Nos anos mais quentes, incêndios florestais são mais comuns”.

Quão ruins são os incêndios?

Dados de satélite publicados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram um aumento de 85% este ano em incêndios em todo o Brasil, a maioria deles na região amazônica.

Bolsonaro recolheu os dados mais recentes, argumentando que era a estação da “queimada”, quando os fazendeiros queimavam a terra para limpá-la antes de plantar. Mas o Inpe observou que o número de incêndios não está de acordo com os normalmente registrados durante a estação seca.

Incêndios florestais ocorrem frequentemente na estação seca no Brasil, mas eles também são deliberadamente iniciados nos esforços para desmatar ilegalmente a terra para a pecuária.

Conservacionistas dizem que Bolsonaro encorajou madeireiros e fazendeiros a limpar a terra. Durante sua campanha, ele se comprometeu a limitar as multas por danificar a floresta tropical e enfraquecer a influência da agência ambiental.

A agência espacial norte-americana Nasa, por sua vez, disse que a atividade global de incêndios na bacia amazônica este ano tem estado próxima da média em comparação com os últimos 15 anos.

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