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Inquérito que apura abuso sexual em escola deve ser concluído hoje; professor é alvo de mais denúncias

A Polícia Civil deve finalizar nesta sexta-feira (2), o inquérito que apura denúncias contra um professor da escola de Ensino Fundamental Demétrio Bettiol, em Cocal do Sul, acusado de abusar sexualmente de alunas da instituição. Duas testemunhas ainda faltam ser ouvidas pelo delegado Márcio Campos Neves, da Delegacia de Polícia Civil de Cocal do Sul, que acredita ter provas suficientes para que o Ministério Público (MP) apresente denúncia junto ao Poder Judiciário.

Ao longo desta semana, outras denúncias contra o professor chegaram até a Polícia Civil, mas tratam-se de casos antigos e em outra cidade. O delegado explica que as novas denúncias serão investigadas, mas que o inquérito envolvendo os casos na escola de Cocal do Sul está 99% concluído.

“Hoje terminaram todas as diligências que estavam faltando, ou seja, tudo que foi requisitado pelo MP. Ainda faltam os dois testemunhos e tenho certeza que o MP vai denunciar. As provas são neste sentido, a menos que queiram outras diligências”, explica o delegado.

Com o fechamento do inquérito hoje, a promotoria tem até cinco dias para oferecer a denúncia. A princípio, o professor, 34 anos de idade, é suspeito de estupro de vulnerável, crime previsto no artigo 217 do código penal, e está sujeito a pena de 8 a 15 anos de reclusão. A pena pode ser aumentada de um a dois terços com base no inciso 2° do artigo 226, que leva em conta a posição de autoridade do acusado em relação às vítimas.

Outro importante dado apurado na investigação é o número de vítimas na escola Demétrio Bettiol. No boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar (PM), os relatos eram de quatro, porém, o inquérito apurou que foram duas meninas levadas de forma individual para a sala de aula e abusadas pelo professor. Um terceiro caso foi denunciado, mas ocorreu no ano passado. “São denúncias antigas que serão avaliadas com calma, já foram intimadas para prestar depoimento. (Neste caso) é um crime com duas vítimas, com o agravante de ser professor”, argumenta o delegado.

De acordo com o delegado “Alguns crimes não dá para provar por perícia. Pode ser que a perícia na camisa da menina comprove se tem material genético. Mas se vier negativo não é por perícia que vai ser comprovado. A palavra da vítima tem valor probante excepcional, ou seja, está acima da palavra do suspeito. Quer dizer que vai valer mais, desde que outros elementos de prova confirmem que a versão tem coerência, lógica e robustez para ter segurança de prender e condenar uma pessoa. Todo histórico indica que estão falando a verdade e não tem motivo específico para mentir”, .

Ainda na sexta-feira, dia 26, a mãe de uma das vítimas, relatou que sua filha chegou em casa e afirmou que o professor havia feito “coisas estranhas” com ela. A menina disse que foi levada para uma sala, foi vendada e que o suspeito teria colocado algo na boca dela, possivelmente o pênis, e que ela teria vomitado. A outra criança relatou situação semelhante. As duas meninas possuem 8 e 9 anos de idade.

A Polícia Científica está periciando a roupa de uma das meninas para encontrar possível material genético do suspeito, mas o delegado explica que o resultado, caso negativo, não é preponderante para que a denúncia seja levada adiante. “No mesmo dia fizeram exames e não deu nada porque pelo relato não era pra ter nada mesmo. Será realizado o exame pericial da roupa onde pode ter material genético do suspeito, aí sim a perícia pode confirmar se houve ejaculação, por exemplo. O que estamos continuando a fazer são diligências complementares para confirmar aquilo que tinha. Ele foi preso, se não houvesse provas não teria sido”, justifica Neves. O professor está preso preventivamente no Presídio Santa Augusta, em Criciúma.

 

Diretora foi substituída

A então diretora da escola está afastada do cargo desde o ocorrido e foi alvo de protestos. Pais das crianças abusadas afirmam que a diretora atuou com negligência e não os avisou sobre o ocorrido, mesmo após ter ouvido denúncia das próprias crianças.

Hoje, a Secretaria de Educação nomeou a nova diretora. Trata-se de Morgana Silva da Cruz, que até então atuava como professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) na própria escola Demétrio Bettiol, onde está desde 2016.

Segundo divulgado pela prefeitura, a profissional atua há 12 anos como professora e passou por municípios como Urussanga e Criciúma, em escolas da rede municipal, estadual e particular. Ela possui especialização em Educação Especial e Psicopedagogia Clínica Institucional.

 

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Fonte: Engeplus

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