Evaldo Avila da Silva
Vice-presidente da Associação Empresarial de Jaguaruna, Sangão e Treze de Maio (Acirj)
Asituação geográfica de Jaguaruna tem uma característica interessante. É o centro do Sul do Estado, possibilitando uma vocação de unidade Sul catarinense face às suas características geomorfológicas. Por volta de 1915, a Primeira Guerra Mundial ressuscitou o projeto de mineração de carvão de Visconde de Barbacena em nosso Estado. O combustível sólido ficou importante. Ao mesmo tempo, em Criciúma, Giácomo Sonego descobria, em sua propriedade, uma camada de carvão considerada de qualidade superior a de Lauro Müller, projeto inicial de Visconde. Esta camada chegava a 2,5 metros de total, com ótima recuperação de carvão limpo. O mercado consumidor do mineral era muito bom face às dificuldades de importação devido ao conflito mundial, iniciado com o assassinato de Francisco Ferdinando, da Áustria, por terroristas da Bósnia.
A família Lage inicia o processo de desenvolvimento da indústria carbonífera de Santa Catarina, contratando competentes engenheiros, entre eles André Gustavo Paulo de Frontin. Brilhante técnico e político respeitado foi presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.
Por aqui se iniciava a lavra precária da nova camada de carvão descoberta por Sônego, em Criciúma.
O combustível tinha que atingir o centro do país por meio do Porto de Laguna por uma razão econômica simples: perto de Criciúma, e para chegar a este porto o caminho mais em conta era o rio Jaguaruna, depois as lagoas e o delta do rio Tubarão. Não havia a estrada de ferro Tubarão-Araranguá.
A emergência foi resolvida com o transporte do carvão com carros de bois de Criciúma até a cabeceira do rio Jaguaruna, onde era navegável uma canoa de convés, com capacidade para três toneladas. Este local chamava-se e ainda se chama Pontão, o porto fluvial da época. Fica perto do Morro Azul, dois quilômetros ao Norte do trevo da BR-101/Jaguaruna. Paulo de Frontin, que modernizou Copacabana, construiu as avenidas Delfim Moreira (Leblon) e Niemeyer (Barra), e em 1916 fez uma visita ao Pontão (definido no livro de Belolli, Joyce e Ayser) como “porto intermediário da região Sul catarinense, localizado no território de Jaguaruna. Até 1920 prestou relevantes serviços à indústria carbonífera. O carvão ali embarcado, em pequenos barcos seguia para o Porto de Laguna para sua exportação”.
Um século depois, Jaguaruna oferece as condições ideais para o aeroporto da região sul de Santa Catarina, confirmando esta saga histórica de participar da união e unidade do Sul do Estado.