Administradora de sucesso, neta do grande artista plástico Willy Zumblick e filha do ex-presidente do Hercílio, Túlio Zumblick. Andrea Zumblick, 36 anos, conduz a empresa da família com ‘braço de ferro’. Ela respira o vermelho e branco desde que nasceu. Solteira e sem filhos, promete não medir esforços para reconduzir o Hercílio Luz aos seus dias de glória. Por trás da tímida entrevistada, uma hercilista ferrenha, que demonstra um brilho nos olhos ao lembrar da infância, das brincadeiras nas arquibancadas do estádio Anibal Costa.
Andrea por Andrea
Deus: Ser supremo, inquestionável.
Família: É a base de tudo, amor, cumplicidade, aconchego.
Trabalho: Fonte de energia, que alimenta a alma!
Passado: Bons frutos.
Presente: Novos desafios.
Futuro: Novas conquistas.
Cleber Latrônico
Tubarão
Notisul – O que a levou a exercer este cargo em um clube de futebol?
Andrea – Na verdade, eu fui convidada. Fui criada dentro do Hercílio. Desde pequena, com meu pai como presidente, eu acompanhava o time por aqui e nas viagens. No primeiro convite, queriam que eu fosse presidenta. Eu disse que não dava, por conta dos meus afazeres na empresa (Zumplast), e também por eu não ter conhecimento algum da atual situação do clube. Eu não ia assumir sem conhecer como funcionava a parte organizacional. Não aceitei. Então, me colocaram como vice da chapa.
Notisul – Qual foi a primeira impressão que você teve ao assumir a vice-presidência do Hercílio Luz?
Andrea – Confesso que fiquei um pouco assustada. Principalmente porque tinha bem pouca coisa documentada. Foi um dos motivos que me fez aceitar este desafio, tentar ajustar, ao meu modo de administrar, botando em prática meu conhecimento enquanto administradora.
Notisul – Hoje, qual é o patrimônio do clube? E qual é a sua meta?
Andrea – Tem o estádio, nosso maior patrimônio, a quadra de sintético, tem o belo trabalho do Eduardo e do Samuel com as crianças. Mesmo que seja à parte, os dois comandam, nós cedemos a estrutura. A meta é montar um time competitivo. Poder formar uma base, e que esta base tenha continuidade. Mas, sinceramente, a meta mesmo é subir à Série A do campeonato catarinense. Esse ano.
Notisul – Quais são as fontes de renda do clube?
Andrea – Hoje, o campo sintético e as placas. Em relação às placas de publicidade, uns pagam mais, outros menos. Geralmente, os que ainda pagam “são hercilistas”.
Notisul – E para o estádio, tem projetos?
Andrea – Temos um projeto para outro campo sintético e uma academia no estádio para os atletas e sócios. Discutiremos ainda se abriremos ao público, neste caso arrendando. Vai depender do comando.
Notisul – Você é a favor da fusão entre os clubes de Tubarão?
Andrea – Da fusão em si acho que não. Agora, ter apenas um time, forte, na cidade, aí sim. Porque a fusão entre Hercílio e Atlético Tubarão já foi feita e não deu certo. É uma ação que hoje não cometeríamos o mesmo erro. Dessas duas diretorias já não deu certo. Não seria o caso agora. Na outra vez, parte da proposta não foi cumprida. O Hercílio quase perdeu seu campo. Chegou a ir a leilão. Nossa sorte foi que alguns colaboradores e diretores deram um jeito. Tenho consciência que ter três times é ruim para Tubarão. Mas uma fusão, hoje, teria que ter outro tipo de contrato, com garantias para o Hercílio.
Notisul – A que você credita a atual situação do futebol tubaronense?
Andrea – Muito dinheiro foi investido e desviado de foco. O que acabou fazendo com que se perdesse a credibilidade com investidores e com os próprios torcedores, que desacreditaram um pouco nos times e nos dirigentes.
Notisul – Você teme por algum tipo de preconceito?
Andrea – Não. Eu trabalho há muito tempo como gerente de produção aqui na fábrica. Preconceito sempre teve. No meu primeiro emprego, eu lidava com mecânicos, caminhoneiros, e a gente vai se adaptando, acostumando-se e desconsiderando muitas coisas, deixando pra lá. E foram eles que me convidaram, procuraram, até porque sempre me viam no campo, me interessando, me envolvendo, perguntando, viam que eu gostava. E aqui (no Hercílio) eu não tenho sentido nenhum tipo de preconceito, muito pelo contrário.
Notisul – Teve alguma inspiração na Patrícia Amorim, presidenta do Flamengo?
Andrea – Não. Eu acompanho, porque eu também torço pelo Flamengo. Mas o Flamengo é o Flamengo e o Hercílio é outra história, nem se compara. Ela foi bem corajosa nesse sentido. (risos).
Notisul – Você concorda com a fama de que a torcida hercilista é “elitista” ?
Andrea – Ahhh, eu não penso assim. Eles falam e… Eu nunca entendi. Pra mim, não tem fundamento.
Notisul – Quanto à comissão técnica para 2011?
Andrea – Antes do Michel e eu assumirmos, tivemos uma conversa com Gilson Paulino. Na verdade, não tem nada assinado, mas verbalmente está tudo certo. Ele está no Rio de Janeiro trabalhando, fazendo contatos, indo nos clubes para ver se consegue convênios ou algo nesse sentido. Na época em que ele veio para cá, no começo do século, tinha um convênio com o Vasco, estava dando certo, mas não fomos campeões.
Notisul – Que tipo de mudanças vocês pretendem implantar no clube?
Anea dr– Estamos tentando reestruturar primeiro, dividir as tarefas entre os diretores, o que cada um tem que fazer, designar responsabilidades. No passado, a gente viu cada um fazendo um pouco de cada coisa, e não deu muito certo. Eu não culpo os diretores, porque boa vontade eles tinham. Mas agora definimos as funções, focos e responsabilidades. Organizar, fazer os projetos para poder ir nas empresas e conseguir renda.
Notisul – Você acha que seu pai dará palites na atual gestão?
Andrea – Ele conhece meu trabalho daqui. Eu sinto que ele fica feliz em me ver dando continuidade a um trabalho que ele começou. A gente viu a torcida reclamando: sempre os mesmos!!! Não tinha ninguém jovem na diretoria. E aí eu acabei indo e levando mais uns dois comigo. Precisa de uma renovação. Porque e daqui a alguns anos? O time vai morrer quando eles não estiverem aqui? Eu busco uma renovação.
Notisul – Qual será o orçamento do Hercílio Luz para o futebol, neste ano?
Andrea – Tem o que a gente acha que vai ter e o que o Michel pretende. Ele pretende chegar aos R$ 150 mil. É a meta que trabalhamos. Se gasta bastante, principalmente segunda divisão. São viagens, taxas, não tem verba de TV, bolas e taxa de arbitragem é tudo o clube que paga. É ao contrário. Já não temos (clubes da 2ª divisão) condições e ainda paga mais.
Notisul – O poder público não ajuda?
Andrea – Ano passado a prefeitura não ajudou o Hercílio, não. Esse ano, a gente vai ver se consegue o apoio da prefeitura também, né? O próprio campo que o Tubarão utiliza é da prefeitura, então ela os ajuda. Michel está vendo isso. Ele está mais com essa área de captar recursos.
Notisul – Você tem conhecimento sobre a questão jurídica entre Atlético Tubarão e Tubarão F. C. em torno do Estádio Domingos Gonzales?
Andrea – Não, eu procuro não me envolver.
"Uma tia, ao saber que eu assumiria o cargo, disse: ‘Sua louca!’. Outros falaram: ‘Tu não sabes aonde está se metendo’. Mas quando a gente sabe do que é capaz, que pode fazer alguma coisa pelo time de coração, e que tem capacidade para isso, daí não liga para certas coisas. Se eles falam assim, é porque realmente alguém vai ter que assumir e, se pensar negativo, nada acontece."
