A greve dos caminhoneiros iniciada na segunda-feira da semana passada ultrapassou as reivindicações iniciais como: as focadas na redução dos preços dos combustíveis, ganhou o apoio da sociedade e tem alcançado o suporte de vozes que reivindicam intervenção militar.
Em um país como o Brasil, onde vigora o Estado Democrático de Direito, algo como uma ‘intervenção militar’ em que ocorre o uso do poder das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) só pode ocorrer sob ordem dos poderes constituídos, isto é, dos conselhos formados por membros do Poder Executivo e do Poder Legislativo e com a devida supervisão do Poder Judiciário. As intervenções militares, segundo a Constituição Brasileira de 1988, podem efetivar-se legalmente em três casos específicos: 1) Intervenção federal; 2) Estado de Defesa; 3) Estado de Sítio.
No ano passado, uma sondagem realizada pelo Paraná Pesquisas revelou que 43,1% dos brasileiros são a favor de uma intervenção militar provisória e outros 51,6% dos brasileiros disseram ser contra e 5,3% não souberam responder ou não opinaram.
A maior parte dos apoiadores de uma ação militar para resolver os problemas no país tem entre 16 e 24 anos – 46,1% dos entrevistados nessa faixa etária apoiariam a medida.Os mais reticentes têm 60 anos ou mais – 56,2% dos entrevistados nessa idade são contra uma intervenção.
Estes últimos, por exemplo, viveram os anos de chumbo no Brasil entre 1964 e 1985 e, sabem quais as implicações de uma intervenção militar no país. Diferente daquela época, quando houve um expressivo ‘apoio’ da população, o quadro político atual converge para um cenário oposto.
O trauma cultural da ditadura militar que se instaurou por 21 anos, ainda persiste e governar o país atualmente seria necessário dissolver o Legislativo como ocorreu em 1968 por meio do Ato Institucional 5 (AI-5). Conforme o historiador brasileiro, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Leandro Karnal, este método ‘governista’ não deve ser instaurado no país e só traria retrocessos.
