O crescimento desordenado das cidades sem o devido planejamento tem gerado o aparecimento de algumas doenças de potencial caráter zoonótico. O crescimento populacional de animais domésticos errantes e domiciliados também precisa de um monitoramento para evitar o surgimento de zoonoses.
A leptospirose é uma doença bacteriana infecto-contagiosa que acomete o homem e os animais domésticos silvestres, largamente disseminada, assumindo considerável importância como problema econômico e de saúde pública (FAINE, 1999).
A ocorrência de leptospirose é variável em diferentes partes do mundo, podendo-se observar tanto a forma esporádica quanto a endêmica. Os surtos se reproduzem por exposição à água contaminada com urina ou tecidos provenientes de animais infectados, (VASCONCELLOS, 1993). Particularmente nas ocasiões em que ocorrem elevados índices de precipitações pluviométricas e nas regiões em que o solo apresenta reação neutra ou levemente alcalina, associando-se ainda a variedade de espécies hospedeiras que facilitam a cadeia de eventos necessários para a transmissão da doença.
Entre os animais domésticos, em nível urbano, a principal fonte de infecção da leptospirose humana é os cães, pois estes animais vivem em contato direto com os seres humanos e podem eliminar leptospiras vivas através da urina durante meses, mesmo sem apresentar nenhum sinal clínico (FAINE, 1999).
Neste particular, devem ser considerados os cães errantes, animais que vivem perambulando pelas ruas das cidades, alimentando-se de restos de comida e saciando sua sede com água poluída, e, portanto, ficando expostos a inúmeros agentes infecciosos, muitos deles causadores de zoonoses, como é o caso das leptospiras. O portador da doença contrai através do contato direto com a bactéria (feridas na pele, corte), chegando até a corrente e sanguínea, infectando de forma sistêmica do organismo.
O controle da doença é realizado, com medidas sanitárias simples como limpeza do ambiente, onde os animais permanecem, controle sanitário dos animais errantes (animais sem domicílios) e domiciliados (cães com donos).
O poder público pode contribuir juntamente com as secretarias de saúde e meio ambiente com relação a esta temática. Recentemente, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou (01/06/2011), o Projeto de Lei 422/11, do deputado Lincoln Portela (PR-MG), que cria o Fundo Federal de Proteção Animal, destinado a centros municipais de controle de zoonoses, centros de triagens e organismos de proteção e de combate ao tráfico de animais. Com esta medida, a municipalidade e a população ganham mais força com relação às medidas que beneficiem a saúde pública.
