Início Opinião Liberal que sente saudades da ditadura nunca foi liberal

Liberal que sente saudades da ditadura nunca foi liberal

Víctor Daltoé dos Anjos
Bacharel em Geografia/UFSC
victordaltoe@gmail.com>

O candidato à Presidência da República pelo Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, tem catalisado o descontentamento da sociedade brasileira usando instrumentos perigosos. Um deles é a nostalgia do regime militar. O candidato vende seu discurso com o disfarce de defensor do livre-mercado, o que revela uma armadilha fraca, mas que está capturando um vasto eleitorado inocente.
Sinto informar, Bolsonarismo não rima com liberalismo ou com a expressão livre-mercado.

O período em que a economia brasileira foi mais estatizada foi a Ditadura Militar (1964 – 1985). Quando do golpe de 1964, o Brasil possuía 15 empresas estatais. Em 1979 já eram 440. Dentre os presidentes desse regime, ninguém foi mais estatizador do que o gaúcho Ernesto Geisel. Ao longo de seu mandato (1974 – 1979), ele criou, em média, uma estatal por semana.

Além de bater fotos em frente a quadros de ditadores como Ernesto Geisel, Bolsonaro votou contra o Plano Real (1994), que estabilizou a economia brasileira. Votou contra a Reforma Trabalhista. Votou contra o fim da distinção entre capital estrangeiro e nacional. Votou contra o fim do monopólio de extração de petróleo pela Petrobrás. Votou contra a regulamentação das terceirizações.

Qualquer verdadeiro liberal votaria a favor dessas propostas se tivesse um mínimo de consciência. Mas não, Bolsonaro votou exatamente como o Partido dos Trabalhadores (PT) votou em todos esses quesitos. Quem espera de Bolsonaro o hálito doce do liberalismo econômico e político, receberá no rosto apenas o bafo malcheiroso do estatismo conservador.

 O Partido dos Trabalhadores (PT) tem se revelado outro herdeiro de Geisel, só que à esquerda. Não é à toa que ambos disputaram por uma semana Josué de Alencar (PR) como candidato a vice-presidente. Josué disse que só aceita o convite do PT se for numa chapa com Lula. Ou seja, Lula e Bolsonaro estão disputando o mesmo vice, e bolsonaristas e lulistas parecem não achar problema nenhum nisso.

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