Ocrescimento da criminalidade tem como causa maior o uso de drogas (80%). São assaltos e furtos, para manter o vício, e assassinatos por disputa de ‘pontos’ ou por não pagamento de drogas.
Como atrativo mercado de 244 milhões de usuários no mundo, segundo a ONU, a prevenção tem menor custo e maior eficiência que a repressão a qual, mesmo assim, deve ser intensificada.
O fato de crianças e adolescentes entrarem, cada vez mais cedo, no mundo das drogas, exige esforço máximo e conjunto da sociedade para protegê-las. Quando entram, restam-lhe os três “cês” (clínica, com baixíssima resolutividade; cadeia, de onde saem, geralmente, mais periculosos, e cemitério). E para a sociedade, resta o altíssimo custo (R$ 258 bilhões, em 2013, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública) e a perda do sossego.
Por tais motivos, na primeira reunião de 2016 do Gabinete de Gestão Integrada de Segurança de Tubarão (cuja função é também executiva), o Conselho Municipal de Segurança (de função propositiva) solicitou que, dentre as medidas em curso ou a serem iniciadas, trabalhe-se, principalmente, junto às famílias e às escolas, a questão dos limites e dos valores. Primeira das 16 frentes de trabalho do Projeto de Prevenção e Combate à Violência em Tubarão, apresentado para a sociedade tubaronense em 2006.
De acordo com estudiosos da Escola de Chicago: vivendo em um ambiente desorganizado e precário, o jovem fica mais vulnerável a se desligar das instituições. Num passado, não tão distante, muitas crianças e adolescentes tinham fome de alimentos. Hoje a fome maior é de gente que lhes sirva de boa referência. Diminuíram as carências materiais, mas aumentaram as carências de limites e de valores.
Há generalizado desconhecimento e omissão sobre deveres e punibilidade para os jovens, previstos na legislação, a ponto de se ouvir, constantemente, que crianças e adolescentes tudo podem (em casa e na escola) e que os adultos (pais, responsável legal e professor) nada podem. O que não é verdade. O Estatuto da Criança e do Adolescente é extremamente rigoroso com os que cometem atos infracionais. O único reparo é quanto ao tamanho da penalidade para os que cometem homicídios (apenas três anos).
Há, também, progressivo abandono dos valores por parte dos adultos, que são imitados pelas crianças e adolescentes. Da prática da espiritualidade, passando por pontualidade, respeito aos diferentes (étnicos, estéticos, religiosos, sociais, sexuais e outros), convivência com quem não escolheu, comprometimento com a coletividade e outros, às ‘expressões mágicas’, como: com licença, por favor, desculpe e muito obrigado.
Famílias, escolas, igrejas e demais instituições unem-se para vivenciarem os limites e os valores ou nada deterá a crescente animalização da sociedade.