Uma matéria sobre lixo trocado por livros me chamou, há tempo, muito a atenção. E merece ser apresentada como exemplo. Trata-se do Projeto Livro Livre, implantado nas escolas de primeiro grau de Jaraguá do Sul, e que já foi realizado em Blumenau e Gaspar. Um projeto que pode e deve ser levado a muitas cidades no Brasil. Envolve várias entidades e é uma ação educativa no sentido de proporcionar aos estudantes a aquisição de pelo menos um livro por mês, sem nenhum custo para o aluno, para a escola, nem para a prefeitura, auxiliando os professores na missão de incutir o gosto pela leitura para quem está em formação. Para ganhar o livro, a cada mês os alunos tinham que levar à escola pelo menos um quilo de lixo reciclável, que seria comprado por uma empresa previamente contratada para a reciclagem.
Cerca de cem mil livros foram entregues e constituíram quatro coleções, pensadas conforme a idade dos leitores: aos estudantes do 1º ao 3º ano, as publicações continham rimas e poesias; 4º e 5º ano, fábulas; 6º e 7º ano, artes; e para os alunos do 8º e 9º ano, histórias de suspense, amor e aventura.
As coleções são de autores catarinenses diversos da região de Blumenau. Infelizmente não há autores do norte do estado, pois o projeto já veio pronto para Jaraguá. O patrocínio de uma grande empresa da cidade pagou a impressão dos cem mil livros, publicados pela Editora Todo Livro. Uma ótima iniciativa para a educação da cidade, que entregou aos estudantes de primeiro grau milhares de livros, incentivando o hábito da leitura. Algo tão difícil de se conseguir nos últimos tempos pela falta de condições de se comprar livros, até pelas escolas, que têm suas bibliotecas relegadas a segundo plano, pois o estado e muitos municípios não previam a contratação de bibliotecários. Será que isso mudou atualmente?
Os estudantes recebem os livros em troca de lixo, proporcionando alguma renda para as Associações de Pais e Mestres das escolas, que usaram o dinheiro para melhoria em cada estabelecimento, até na compra de mais livros para as bibliotecas escolares.
Bom negócio para todos: para a editora, que publica grandes edições com destino certo e retorno garantido, pois o patrocínio paga a conta. Para os estudantes, que têm leitura garantida, gratuitamente, apenas com o compromisso ecológico de coletar lixo reciclável e, para a escola, que têm alunos que leem vários livros durante todo o ano.
Que o projeto seja multiplicado hoje, amanhã, sempre, em todos os estados brasileiros.