Início Opinião Luiz Henrique Rosa – Um artista tubaronense

Luiz Henrique Rosa – Um artista tubaronense

 

Luís Henrique Rosa foi um artista catarinense, natural de Tubarão, que viveu como poucos – nos anos 60 – a euforia da bossa-nova na capital catarinense e no Brasil. Mas não ficou nisso. Por conta de seu talento, conseguiu o feito de cantar com Nara Leão, Sivuca, João Gilberto, e de interpretar, nos Estados Unidos, versões consagradas de músicas de artistas brasileiros, dentre os quais Edu Lobo. Transportou, ainda, nossa música ao longínquo Japão, numa excursão com o saxofonista Stam Gets, em 1965.
 
E para orgulho da gente tubaronense e barriga-verde, Luís Henrique – nascido em Tubarão, a 25 de novembro de 1938 – foi amigo pessoal de Lisa Mineli, a renomada atriz e cantora  norte-americana (filha de Judy Garland), principal personagem do filme Cabaret. Além de cantar ao seu lado, nos Estados Unidos, Luís Henrique acompanhou-a em outros espetáculos, inclusive durante turnê da estrela ianque no Rio de Janeiro.
 
Esse retumbante sucesso, no entanto, em nenhum instante concorreu para anular a modéstia, a simplicidade sempre observada no comportamento do conhecido artista. Jamais o músico deixou-se seduzir pelo foco da mídia. Fez jus à origem, até porque Luís Henrique era filho de Raulino Rosa e de dona Alice, gente simples da sociedade. Seu pai era jogador de futebol que saiu de Tubarão, do Hercílio Luz Futebol Clube, para tentar a sorte no esporte da capital nos anos 40, época em que essa modalidade, fora das grandes cidades do país, pouco significava. Raulino, pela habilidade no manejo da bola, ficou famoso e conhecido pelo apelido de Loló (Formou com Procópio e Beck um respeitável trio no Avaí F.C.). 
 
Enquanto isso se dava, Luís Henrique, ainda garoto, vivia a dedilhar seu violãozinho de brinquedo. Paralelamente, alimentava o desejo de seguir a carreira de arquiteto, curso que, todavia, nunca se dispôs a iniciar. A folha de papel que lhe parecia servir para traçar edificações e ambientes mais lhe foi útil no rabiscar notas musicais que, desde menino, fluíam dele com mais facilidade.  
 
Entusiasmado pela carreira artística e decidido a fazer da música sua forma de vida, Luís Henrique, para ampliar seus contatos, fazia questão de estar sempre junto de artistas, radialistas e diretores de clubes recreativos. Aos 18 anos, dispunha de programa próprio na Rádio Diário da Manhã da Capital. Nesse tempo, tornou-se o mais popular músico da cidade. Ainda sob a força musical de sua juventude, Luís Henrique criou a melodia do hino do Avaí Futebol Clube.   
 
Irrequieto, mudou-se para Porto Alegre; de lá para o Rio de Janeiro e, em seguida, para os Estados Unidos, onde gravou sete discos, e outros artistas gravaram composições suas, principalmente Harry Belafonte e Nancy Wilson. Ainda lá, viveu grande ventura artística ao conhecer a atriz e cantora Lisa Mineli, com quem construiu sólida amizade. 
 
Em Porto Alegre, cantou e tocou a convite da orquestra gaúcha de Norberto Baldauff, muito requisitada para bailes de debutantes em Santa Catarina. No mesmo Rio Grande do Sul, conheceu o carioca João Araújo, diretor da gravadora Philips, que o convenceu a transferir residência para o Rio de Janeiro. Foi nessa época que gravou Se Amor é Isso e Garota da Rua da Praia. 
 
Tornou-se artista internacional a partir de 1964, quando, a convite de Paul Winter, que possuía um conjunto de jazz, viajou para os Estados Unidos. Com ele, fez inúmeras excursões musicais. Depois, Henrique Rosa voou mais alto e chegou ao Café Au Go Go, ponto de encontro muito em moda e sempre movido pela força do jazz e do folk. Uma liderança herdada do ídolo Bob Dylan, no Bitter End. Nele, Rosa apresentou-se por seis meses.
 
Em outro bom momento de sua vida nos Estados Unidos, Luís Henrique fez amizade com Oscar Brown Jr., músico, escritor, coreógrafo e cantor, com o qual gravou um disco intitulado Finding a New Friend. De parceria com esse amigo estrangeiro, com quem bem se entrosara, produziu duas peças teatrais musicais com o nome Joy (Alegria), que ficou em cartaz por um ano em Nova Iorque. O trabalho chegou a ser indicado para o Prêmio Tony, espécie de Oscar da Broadway.
 
Ainda nos Estados Unidos, onde morou em Nova Iorque, São Francisco, Chicago e Los Angeles, gravou com o cantor brasileiro Sivuca.
 
Sobre a histórica aproximação de Luís Henrique com Lisa Mineli, em 1966, sabe-se que tudo começou em Chicago, num elevador, onde os dois, sem mais ninguém, subiram do 1º ao 10º andar do hotel em que se haviam hospedado. Ali, naquele minúsculo espaço, como se já se conhecessem há mais tempo, trocaram rápido cumprimento, seguido de sorrisos correspondidos. Lisa, então ainda não muito conhecida pelo mundo afora, despediu-se e rumou para o 13º , enquanto Luís desceu dois andares antes. 
 
A partir daí, pelo fato de todos estarem morando em Nova Iorque, firmaram uma sólida amizade, realizaram vários encontros sempre regados a jantares ou a descontraídos bate-papos, longe de palcos e microfones. Essa estreita amizade rendeu a Luís Henrique a consideração permanente da atriz famosa, que, mesmo chegando ao sucesso mundial no filme Cabaret, e ele retornando a Santa Catarina, nunca perderam o contato entre si. 
 
Luís, que tinha sete irmãs e era o único filho varão do casal Raulino e Alice Rosa, morreu em Florianópolis, na madrugada de 8 de julho de 1985, uma segunda-feira, ao ser seu carro, Variant, abalroado por uma kombi, no sul da Ilha. 
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