Início Política Lula critica sanções e diz que Brasil resiste na defesa da democracia

Lula critica sanções e diz que Brasil resiste na defesa da democracia

Foto: Ricardo Stuckert - Divulgação: Notisul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, nesta terça-feira (23), o Debate Geral da 80.ª Sessão da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. No discurso, Lula criticou as sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos e destacou que o Brasil resiste na defesa da democracia, mesmo diante de ataques internos e externos.

Críticas ao autoritarismo e às sanções

Segundo o presidente, o multilateralismo atravessa “uma nova encruzilhada” diante do enfraquecimento da autoridade da ONU. Ele afirmou que o cenário internacional está marcado por “sanções arbitrárias e intervenções unilaterais que se tornam regra”.

Lula disse que há “um evidente paralelo entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia”, apontando que forças antidemocráticas atuam em diferentes países para sufocar instituições e liberdades.

“O Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há 40 anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais”, declarou.

Relações Brasil-EUA em tensão

As críticas do presidente se referem às sanções econômicas impostas ao Brasil pelo governo de Donald Trump, que determinou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.

Além da política comercial, Lula condenou a interferência direta nos assuntos internos do país. Em julho, Trump aplicou a chamada Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que julga o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

A legislação norte-americana prevê bloqueio de bens, restrições financeiras e cancelamento de vistos para alvos das sanções. Diversos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luís Roberto Barroso, tiveram vistos suspensos.

Reação brasileira às novas medidas

Na segunda-feira (22), o governo dos EUA anunciou sanções contra a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Em nota oficial, o governo brasileiro classificou a medida como “profundamente indignante” e afirmou que o país não aceitará pressões externas contra suas instituições.

“Não nos curvaremos a mais essa agressão”, destacou o comunicado do Itamaraty.

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