Jailson Vieira
Tubarão
Aproximadamente dez mil alunos estão sem aulas nas regiões de Laguna, Imbituba, Garopaba, Braço do Norte e Tubarão e este número poderá crescer ainda mais. Ontem à noite, cerca de 70 professores do Centro de Educação Profissional Diomício Freitas (Cedup) aderiram à paralisação.
A situação entre os grevistas na área da educação e o governo do estado de Santa Catarina continua ainda mais complexa. Ontem à tarde, centenas de professores da rede estadual de educação estiveram na Assembleia Legislativa (Alesc), em Florianópolis, para pressionar os deputados estaduais a não votarem a Medida Provisória 198 (MP198). O texto prevê mudança na forma de remuneração de professores temporários (ACT’s).
A medida não foi apreciada e cerca de 100 docentes mantiveram-se em vigília na assembleia. Os profissionais de educação e os representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública (Sinte/SC) garantem que não sairão da Alesc enquanto a medida provisória tiver a chance de ser votada.
A aprovação não ocorreu por causa da pressão dos manifestantes. “Ela não foi realizada (hoje) ontem, mas o deputado Silvio Dreveck (PP), líder do governo, quer dar celeridade ao anteprojeto à MP198 para que ela seja retirada do plenário, mas mesmo assim os professores não conhecem nada sobre esta nova medida que poderá ser analisada amanhã (hoje). Essa situação é lamentável”, afirma a assessora jurídica do Sinte em Tubarão, Sônia Medeiros.
Professores e deputados querem a exoneração do secretário
A divulgação do vídeo do secretário de estado de educação, Eduardo Deschamps, em que ele tratava de forma ríspida os diretores de escolas que apoiavam a greve e estão contra o governo do estado causou descontentamento. Os deputados estaduais oposicionistas e professores pedem que o governador Raimundo Colombo (PSD) exonere o atual secretário do cargo. A deputada Luciane Carminatti (PT) salienta que o secretário não teve a capacidade de dialogar com os sindicalistas e professores.
“Na Constituição Federal, no artigo 9º, está assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio deles defender. Portanto, não é o secretário que vai dizer quando o professor entra em greve. Cabe ao governo, sim, respeitar o direito dos catarinenses à boa educação”, afirma.
Os grevistas revelam que o atual governo não conversa com os professores paralisados e que a sociedade catarinense deve prestar atenção nas medidas e na forma de administrar do atual governador do estado. “A situação é greve. Eles querem destruir com a carreira do magistério, tudo que conseguimos até agora poderá cair por terra”, revela a assessora jurídica do Sinte de Tubarão, Sônia Medeiros.
