O discurso da renovação e da mudança percorreu o país. Inúmeras campanhas usaram a falácia como slogan, fazendo o eleitor acreditar que simplesmente um nome novo resolveria todos os problemas das comunidades. E assim foram eleitas diferentes novidades nas cidades brasileiras. Em Tubarão não foi adverso. Pela primeira vez na história do processo democrático, o Partido dos Trabalhadores elegeu o prefeito, quebrando 12 anos de hegemonia tucana e, ainda, derrotando partidos históricos como PMDB e PP.
É indiscutivelmente um feito, se levado em conta o fato de tamanha vitória ocorrer sem o uso de expedientes corriqueiros como coligações absurdas, compra de votos ou o uso da máquina pública. Colocando as divergências de lado, o PT tubaronense sempre foi um partido coerente e fiel aos princípios que nortearam o partido desde sua fundação. O mesmo não se pode dizer no plano nacional. Então se configurou nesse pleito uma vitória amplamente legítima. No entanto, é importante analisar a legitimidade do discurso.
O falecido prefeito Manoel Bertoncini foi uma aposta concreta de mudança. Muito embora eleito sobre a toada da continuidade, quem bem o conhecia sabia da sua ansiedade em mudar a perspectiva administrativa da cidade. Estava decidido a mudar os rumos do governo, bem como construir uma gestão mais competente, de caráter efetivamente técnico e comprometida com resultados mais significativos no que tange o atendimento aos cidadãos, com foco na educação, saúde e assistência social.
Mas o destino, implacável em suas surpresas, ceifou-lhe a saúde. Combalido pelo tratamento, absteve de exercer o poder na plenitude que seus planos exigiam. Prevaleceu o expediente fisiologista da política de ocupação de espaço meramente eleitoreira, sobretudo em funções estratégicas. Encastelados em gabinetes, asseclas herdados do mandato anterior continuaram dando as cartas. O pífio resultado das candidaturas de Carlos Stüpp e Pepê Collaço são provas incontestáveis do governo para poucos em detrimento de muitos.
Apesar das limitações físicas impostas pelo tratamento, Dr. Manoel deixou algumas marcas profundamente positivas. Uma das mais significativas foi dar o exemplo quanto ao nepotismo. Mesmo sendo sua esposa cardiologista de renome, Dra. Márcia eximiu-se de qualquer participação oficial no governo. Continuou exercendo suas atividades profissionais e dedicando seu tempo no acompanhamento das inúmeras viagens do marido em função do combate ao câncer.
Colocou fim a uma prática abominável exercida nos três mandatos anteriores de nomear esposas dos prefeitos (Genésio Goulart e Carlos Stüpp) secretárias de assistência social. A prefeitura de Tubarão dispõe em seus quadros de inúmeros profissionais competentes, experientes e comprometidos na área. O vice-prefeito eleito foi presidente do Conselho Municipal de Saúde e é profundo conhecedor do segmento. Assim, causou espanto a confirmação da futura primeira dama para o posto na Fundação de Desenvolvimento Social. Não se questiona a capacidade e seriedade da Srª Jane Falchetti. Mas imprimir o discurso da mudança mantendo velhas práticas é algo questionável.
