
Mirna Graciela
Tubarão
Assim que o caso de maus tratos em um bebê de 1 ano e 5 meses, praticados pela professora Hellen de Souza Cunha, 29 anos, no Centro Educacional Infantil Recife, em Tubarão, foi divulgado, ontem, mais denúncia semelhantes contra a educadora foram feitas outros pais junto a Delegacia da Criança, do Adolescente e de Proteção à Mulher e ao Idoso.
Conforme o delegado Rubem Antônio Teston da Silva, que está à frente das investigações, sua equipe já esperava por novas denúncias. “Isto porque, a partir das imagens, os pais identificaram a educadora”, examina o delegado, que prefere não enumerar quantos pais o procuraram.
Mas ele admite: há casos atuais e passados. “Algumas das denúncias foram feitas por pais que lembraram que seus filhos, hoje ex-alunos da professora, reagiam da mesma maneira descrita quando iam para a escola. Também retornavam para casa com marcas no corpo, possivelmente provenientes de castigo excessivo”, descreve Rubem.
Segundo o delegado, os pais tinham desconfiança, mas com tudo o que veio a público a suspeita tornou-se realidade. Quanto à forma em que as gravações foram feitas, Rubem esclarece: “Não podemos divulgar os meios que utilizamos, pois isto faz parte da linha adotada pelo trabalho policial e revelar isso prejudicaria a apuração de outros crimes”, resume.
O delegado afirma que estes novos depoimentos serão acrescentados ao inquérito, no qual sua equipe empenha-se em buscar o máximo de provas para ser entregue ao judiciário rapidamente. A meta é finalizar o documento em até dez dias, mas é possível que o prazo se estendido, em função das novas informações.
Como a educadora foi presa
A professora do Centro Educacional Infantil Recife, em Tubarão, Hellen de Souza Cunha, 29 anos, foi presa preventivamente nesta segunda-feira, na instituição escolar. A equipe da Delegacia da Criança, do Adolescente e de Proteção à Mulher e ao Idoso cumpriu o mandado.
As primeiras denúncias foram feitas há cerca de dez dias, por alguns pais, à delegacia e ao Conselho Tutelar. Por meio das imagens, ficou comprovada as agressões aos pequeninos. A professora era responsável por 11 crianças, todas com idade entre 1 a 5 anos.
No vídeo, ela agride um bebê de 1 ano e 5 meses com tapas, soco na cabeça e fortes sacudidas. A criança chora desesperadamente. Hellen está no Presídio Feminino de Tubarão, no bairro São João-ME, onde aguardará a decisão da justiça. Ela foi presa pelo crime de tortura, em decorrência a maus tratos, e pode ser sentenciada a até oito anos de reclusão, caso as denúncia fiquem confirmadas.
A professora atua há 11 anos na área, é formada em história e atualmente cursava a 7ª fase do curso de pedagogia. Em seu depoimento à polícia, ela alegou estar estressada em decorrência da carga excessiva de trabalho, pois também trabalha em uma creche em Capivari de Baixo, e pelo baixo salário que recebe.
Pais e filhos devem receber orientação psicológica
Os pais devem estar sempre atentos ao comportamento de seus filhos. Isto vale para quando chegam à escola e também em casa. A recomendação é da psicóloga clínica e educacional Patrícia Pozza.
“Percebemos quando o professor gosta da criança pela forma como a recebe. O mesmo vale para os alunos. Quando gostam do professor, eles demonstram com olhares, falam em casa, querem ir e ficar na escola. São detalhes que devem ser observados de forma criteriosa”, alerta a psicóloga.
Conforme a profissional, as crianças, especialmente as pequenas, são honestas no aspecto emocional e jamais demonstram o que não sentem. Ainda: cada pessoa tem a sua forma de enfrentar os problemas e nenhuma idade deixa de ser traumatizante. “Com o bebê torna-se mais agravante, pois quanto menor a criança, menor é chance de defender-se, ainda mais em uma idade em que não fala”, explica Patrícia.
Crianças que sofrem maus tratos podem ter uma série de consequências danosas, como deixar de comer e de brincar, ter um sono agitado, febre e baixa imunidade, entre outros aspectos. “E algumas podem até sofrer estresse pós-traumático”, atenta a profissional.
Ela observa também que mesmo as crianças não agredidas, mas que presenciaram cenas de maus tratos, podem apresentar comportamentos diferentes. Se a situação ocorre na escola, os pais devem procurar a direção imediatamente.
“Os pais que vivenciaram situações deste tipo com os filhos, os responsáveis que suspeitam que algo esteja ocorrendo, devem buscar orientação psicológica para saber como proceder com seus filhos e facilitar a adaptação ao novo professor”, orienta Patrícia.
Seleção de professores pode ficar mais criteriosa
Priscila Loch
Tubarão
A educadora Hellen de Souza Cunha, 29 anos, acusada de torturar crianças no Centro de Educação Infantil (CEI) Recife, no bairro de mesmo nome, em Tubarão, está oficialmente afastada de suas funções como professora temporária da rede municipal de ensino. Ela foi substituída por outra educadora ontem.
O caso repercutiu nacionalmente e a secretária de educação da prefeitura, Rosimeri da Cunha Galvani, já estuda medidas para que a seleção dos candidatos a professores seja mais criteriosa. “Entrevistá-los, por exemplo, pode ajudar. Vamos analisar com a equipe da secretaria e o jurídico da prefeitura o que é possível fazer”, antecipa a gestora.
Hoje, o processo seletivo é feito apenas por meio de prova escrita e apresentação de títulos, sem contato direto com os educadores interessados em trabalhar na rede pública. “Ficamos chocados. A direção não sabia de nada. A diretora me procurou em seguida à prisão. Até então, a professora era vista como uma profissional atenciosa”, lamenta a secretária.
Rosimeri reforça que o caso de maus tratos foi isolado, e que o CEI onde a acusada trabalhava (ela também era contratada em uma escola de educação infantil de Capivari de Baixo) é bastante conceituado. “Temos professores excelentes, pelos quais colocamos a mão no fogo”, referencia a secretária.
As crianças agredidas física ou psicologicamente, assim como os seus pais, receberão os atendimentos necessários, assegura a gestora. “O próprio Conselho Tutelar já está a par de tudo e vai fazer um trabalho com os alunos e os pais. O serviço de saúde está à disposição das famílias”, confirma Rosimeri.
Vídeo causa comoção e revolta entre a população
A revolta das pessoas em relação a prisão da professora Hellen de Souza Cunha, 29 anos, sob acusação de agredir verbal e fisicamente de um bebê de 1 ano e 5 meses no CEI Recife, em Tubarão, gerou revolta e comoção na região, no estado, no país. Nas redes sociais, a notícia teve um repercussão ainda maior após a divulgação do vídeo. O perfil da professora no Facebook foi excluído por familiares para evitar ataques.
Nas imagens, Hellen dá tapas, soco e sacudidas na criança. O vídeo, com duração de quase dois minutos, já foi visualizado por milhares de pessoas no país. O caso, de fato, chocou a todos. Principalmente os pais das crianças. A mãe de uma das alunas da creche se diz surpresa com as acusações e a prisão da educadora.
“Soube hoje (ontem) pela manhã, quando vim trazer meu filho à escola, mas ela (a professora) não estava na sala. Ninguém quis falar nada. Assisti ao vídeo no trabalho. Meus colegas ficaram pasmos com as cenas. São chocantes. Se a professora fez isto com o bebê, com certeza também pode ter ocorrido o mesmo com o meu filho, porque eles são da mesma sala”, acredita a mãe.
* Com a colaboração do repórter Laércio Botega, da Rádio Bandeirantes.
Veja o vídeo da agressão.