Representantes de movimentos negros do país invadiram o prédio da Fundação Cultural Palmares na manhã desta sexta-feira (29), em Brasília. O grupo protesta contra a posse do novo presidente do órgão de promoção da cultura afro-brasileira – o jornalista Sérgio Nascimento de Camargo.
O ato começou por volta das 10h30 e, às 11h, o grupo com cerca de 30 pessoas entrou na sede da instituição e ocupou o sétimo andar do prédio, onde fica o gabinete do gestor (veja vídeo abaixo). Quatro seguranças do edifício tentaram impedir o acesso, mas os manifestantes ultrapassaram o bloqueio.
O protesto, segundo os organizadores, é em referência a uma série de publicações, nas redes sociais, em que o jornalista relativiza temas como a escravidão e o racismo no Brasil (entenda abaixo).
“Como é que nós vamos aceitar, enquanto movimento social negro, que um presidente de um órgão que tem como obrigação estar certificando os mais de 5 mil quilombos que nós temos hoje no Brasil, negue a história da escravidão?”, questionou a presidente da Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil, Waldicéia de Moraes Teixeira.
“Viemos para dialogar com ele. No sentido de protestarmos contra o fato dele depreciar a luta do movimento social negro”, disse.
Ao ser nomeado, Sérgio substitui Vanderlei Lourenço no cargo. A mudança foi publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (27). A Fundação Palmares integra a estrutura da Secretaria Especial da Cultura, o antigo Ministério da Cultura.
Declarações polêmicas
Em uma publicação feita nas redes sociais antes de ser nomeado para o cargo, Sérgio Nascimento de Camargo classificou o racismo no Brasil como “nutella”. “Racismo real existe nos Estados Unidos. A negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda”, afirmou.
Sobre o Dia da Consciência Negra, Sérgio Camargo escreveu que o “feriado precisa ser abolido nacionalmente por decreto presidencial”.
Ele disse que a data “causa incalculáveis perdas à economia do país, em nome de um falso herói dos negros (Zumbi dos Palmares, que escravizava negros) e de uma agenda política que alimenta o revanchismo histórico e doutrina o negro no vitimismo”.
No dia 3 de novembro, Sérgio publicou uma mensagem numa rede social na qual disse que “sente vergonha e asco da negrada militante. Às vezes, pena. Se acham revolucionários, mas não passam de escravos da esquerda”, escreveu.
