Laguna
Ou façamos algo ou os botos de Laguna serão encontrados somente nos livros de história em alguns anos. Por isso que neste domingo (8), centenas de pessoas participaram de um ato público em favor à preservação dos Botos-Pescadores do Complexo Lagunar.
Durante a manifestação, foi possível observar os botos nos Molhes da Barra e registrar com vídeos e fotos os saltos espetaculares de alguns desses cetáceos. Nesta segunda-feira, 9, haverá um importante encontro na sede do Batalhão da Polícia Militar Ambiental, em Laguna, que deverá definir estratégias de fiscalização para o combate ao uso ilegal de redes de emalhe.
Nesta sexta-feira (6), uma mobilização microrregional pela proteção dos botos começou a ser organizada por vereadores de Laguna, Tubarão, Capivari de Baixo e Pescaria Brava. Uma reunião com o propósito de apontar os problemas e as soluções em relação ao assunto, foi organizada na Câmara de Tubarão. Além de vereadores, participaram representantes dos pescadores, da Polícia Ambiental e do Instituto Ambiental Boto Flipper.
O principal encaminhamento será a realização de ações que contemplem conscientização, melhorias da legislação e fiscalização. Uma delas será enviar moções ao Ibama e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com o objetivo de pedir mais fiscalização, e ao governo do Estado, expondo a necessidade de aumentar os efetivos de fiscalização.
“Queremos incitar a criação de leis nos municípios, para despertar na população a preocupação quanto a esse tema”, destaca o presidente do legislativo tubaronense, Pepê Collaço. “A ideia é criar um plano estratégico para contribuir juntos na busca por melhorias”, acrescenta o vereador lagunense Peterson Crippa, o Preto.
Três botos morreram este ano em Laguna e muito tem se falado sobre as consequências da pesca ilegal. Mas os motivos vão muito além. “Eles também enfrentam doenças, problemas dentários e de pele, fungos. Tem ainda a poluição física, muitos animais comem plástico, tampinhas de garrafa, e a poluição sonora, proveniente de embarcações e até mesmo de obras feitas próximas ou dentro da água”, cita o presidente do Instituto Flipper, Arnaldo Russo.
Proibir as artes de pesca de emalhe de uma margem à outra do rio Tubarão é apenas uma etapa da batalha, explica o comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar Ambiental de Laguna, capitão Omar Corrêa Marotto. “Outra etapa é envolver as entidades. A lei, por si só, se não formos fiscalizar, é natimorta. Precisamos dar validade à legislação”, alerta o comandante.
Estima-se que a população de botos chegue a 50 no Complexo Lagunar. A cidade conquistou o título de Capital Nacional dos Botos Pescadores e a pesca com esses cetáceos é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de SC. Nos últimos 18 meses, oito botos foram encontrados mortos na região, todos por culpa do homem.
