Embora o documento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), lançado em julho deste ano, aponte “expressivo crescimento dos índices brasileiros” no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), sobretudo em matemática – de 334 pontos em 2000, para 386 em 2009 – há muito o que melhorar!
Mesmo com este “crescimento”, nossos alunos amargaram o 57º lugar entre os 64 países participantes no último Pisa (2009). No Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2009, também houve melhora, comparado ao de 2007, mas não atingiu o patamar de 1995, quando se iniciaram as aferições, feitas a cada dois anos.
Para ser mais exato, a única nota do Saeb de 2009 (204 pontos dos 500 possíveis), maior que o de 1995 (181 pontos), ocorreu em matemática, na 4ª série do ensino fundamental. Nesta série ocorreu também o maior crescimento do Ideb geral: 0,4 pontos, entre 2007 e 2009.
De 5ª a 8ª série, ocorreu decréscimo (também em matemática) de 4 pontos (253, em 1995, e 249, em 2009). O Ideb geral nestas séries, cresceu 0,2 pontos entre 2007 e 2009.
No ensino médio ocorreu a maior queda (ainda em matemática): 7 pontos (282, em 1995, e 275, em 2009). Nesta faixa, o Ideb geral apresentou crescimento de apenas 0,1 ponto entre 2007 e 2009.
Quando se reduz o comparativo do ano de 2009 ao de 2007, tanto o Ideb quanto o Saeb apresentaram crescimento em todas as séries. Faz-se necessário, no entanto, ressaltar que:
1) A queda nas pontuações, ou nas aprendizagens, a partir de 1995, coincide com o acesso dos contingentes mais pobres à escola, indicando, principalmente, que esta instituição ainda não aprendeu a trabalhar com a diversidade;
2) A consequência direta da baixa aprendizagem é a reprovação, principal causa intraescolar de evasão, cujas resultados sociais, em especial a violência, são conhecidos;
3) As taxas gerais de reprovação no Brasil caem lentamente entre 2007 e 2010, mas continuam muito altas: de 4,0% para 2,6%, no 1º ano do fundamental; de 12,1% para 10,3% no ensino fundamental; e de 12,7% para 12,5% no médio. As de abandono, no mesmo período, também: de 3% para 1,6%, no 1º ano do fundamental; de 4,8% para 3,1%, no ensino fundamental; e de 13,2% para 10,3%; no médio;
4) A partir de 2005, além da nota da prova do Saeb, as taxas de aprovação também passaram a ser consideradas. Isso levou muitas administrações municipais e estaduais a adotarem medidas que as aumentassem, sem que, necessariamente, os alunos tenham aprendido mais. Assim, através da resolução nº 7, de 14/12/2010, do Conselho Nacional de Educação, homologado pelo MEC, e dos ciclos, previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), alunos não reprovam em determinados períodos. Adotam-se fórmulas (resolução nº 158/2010/CEE/SC) para o cálculo de quanto o aluno precisa na prova final para passar: os que possuem menor média anual precisam de menor nota, nas referidas provas, para serem aprovados.
Os caminhos para melhorar a aprendizagem, principalmente de matemática, são conhecidos: investir financeira e intelectualmente no professor e dele cobrar resultados; socorrer com rapidez os alunos com problemas de rendimento e de disciplina; ampliar, aos poucos, o tempo que permanecem na escola; sustentar a educação nos quatro pilares recomendados pela Unesco (aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser); melhorar as instalações e equipamentos; e atrair a participação dos pais para a escola.
O problema, como já dito em “Ideb: caminhos ou atalhos?”, é quando se opta por atalhos que já se revelaram desastrosos.
