O litoral catarinense deixou de ser um destino restrito à alta temporada e passou a registrar um fluxo constante de moradores temporários, profissionais remotos e investidores ao longo de todo o ano, impulsionando a mudança no perfil do mercado imobiliário. Esse movimento tem impacto direto na demanda por segunda moradia, que passa a ser encarada como muito além de uma casa de férias, mas também como extensão permanente da rotina de vida.
Dados recentes indicam que Santa Catarina liderou a atração de novos moradores no país, com cerca de 354 mil pessoas migrando para o estado entre 2017 e 2022. A dinâmica demográfica reforça tanto a demanda por moradia permanente quanto por segunda residência, especialmente em municípios litorâneos com infraestrutura consolidada e forte identidade cultural. Em paralelo, a consolidação da locação de curta duração, conhecida como short stay, amplia o potencial econômico do setor, reforçando o imóvel como ativo de uso híbrido, combinando moradia e geração de renda ao longo de todo o ano.
Nesse cenário, Laguna, atualmente com cerca de 42 mil habitantes, passa a integrar uma nova geografia do morar no litoral catarinense. A cidade combina patrimônio histórico, praias de forte apelo turístico e localização estratégica, conectada a polos como Tubarão, Criciúma, Imbituba e Florianópolis. A relação entre memória e planejamento urbano, cada vez mais valorizada, posiciona o município como uma alternativa aos mercados já consolidados e com menor capacidade de expansão.
Urbanização estruturada ganha espaço
É nesse ambiente que surge a chamada Nova Laguna, projeto de bairro planejado na região da Praia do Gi, concebido pela Lumma Construtora. O projeto incorpora princípios do novo urbanismo, com uso misto, mobilidade orientada ao pedestre, espaços públicos e infraestrutura própria, incluindo sistemas de drenagem, saneamento e de conexão viária. A proposta retoma, sob uma nova abordagem, uma visão iniciada ainda nos anos 1980 para a região, agora estruturada com base em planejamento urbano e crescimento faseado.
A primeira etapa desse movimento é o Pedra do Frade Living Club, empreendimento com 196 unidades localizado a cerca de 150 metros do mar. O projeto reúne uma das maiores áreas de lazer já concebidas na cidade, com piscina semiolímpica, rooftop, espaços de convivência e áreas voltadas ao bem-estar. Mais do que um lançamento isolado, o empreendimento é um marco inicial de um novo ciclo de desenvolvimento, indicando uma mudança na lógica da segunda moradia, cada vez mais integrada ao cotidiano.
Mercados em expansão
Entre o mar, a memória e a mudança, Laguna passa a reunir elementos que extrapolam o turismo tradicional e indicam um novo ciclo de desenvolvimento para o litoral sul-catarinense. Para a diretora de Projetos e Incorporações da Lumma, Luiza David Maria Mendes, esse movimento acompanha a evolução do comportamento do consumidor e também marca um novo momento para a cidade. “O Pedra do Frade Living Club representa a primeira etapa de um processo mais amplo. É, de certa forma, a primeira pedra na construção de uma nova Laguna. Quando pensamos no projeto, olhamos para o território como um todo, para a história da cidade e para o que ela pode se tornar. Existe ali uma conexão muito clara entre o mar, a memória e a mudança, e é isso que orienta o desenvolvimento”, afirma.
A leitura de longo prazo também envolve a participação de especialistas em urbanismo. Conselheiro do projeto Nova Laguna, Felipe Cavalcante, avalia que cidades de escala intermediária e identidade consolidada tendem a concentrar novos ciclos de crescimento no país. “Os bairros planejados surgem como resposta a uma lacuna nas cidades brasileiras, que, em muitos casos, perderam a capacidade de qualificar seus espaços públicos. O diferencial desses projetos está justamente em colocar a cidade e as pessoas no centro, criando ambientes urbanos mais completos, com diversidade de usos, caminhabilidade e vida ao longo de todo o ano. Em geral, são esses lugares que passam a concentrar os novos ciclos de valorização e de qualidade urbana”, afirma.
Responsável pelo masterplan da Nova Laguna, o arquiteto Diogo Ziger Roeder destaca que o projeto parte de uma leitura territorial e não apenas imobiliária. “O que muda quando um território passa a ser desenvolvido com planejamento é a qualidade do crescimento. Ele deixa de ser apenas ocupação do solo e passa a estruturar a cidade. Em Laguna, o desafio não é criar algo novo e desconectado, mas organizar um território que já existe, respeitando a paisagem, a história e a forma como a cidade se relaciona com o mar”, afirma.
