O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou 14 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa investigada por produzir e disseminar conteúdos de ódio e ideologia neonazista em ambientes virtuais. Segundo a investigação, o grupo atuava em Santa Catarina, São Paulo e Paraná e possuía estrutura hierárquica definida, incluindo a participação de dois policiais paulistas e um advogado.
A denúncia foi apresentada pela 39ª Promotoria de Justiça de Florianópolis na segunda-feira (15) e divulgada nesta terça-feira (16). O Poder Judiciário ainda irá analisar o pedido. Caso seja aceito, os denunciados passarão à condição de réus.
A ação é resultado da Operação Nuremberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em outubro de 2025.
Denunciados responderão por organização criminosa
De acordo com o Ministério Público, todos os 14 investigados foram denunciados por participação em organização criminosa.
Além disso, oito deles também foram denunciados por crimes relacionados à prática de racismo e apologia ao nazismo.
Segundo a denúncia, os principais integrantes da organização seriam:
- Um líder identificado pelos investigadores como o “Führer brasileiro”;
- Uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo, apontada como apoiadora do grupo dentro da corporação;
- Um policial militar paulista, que também prestaria suporte interno;
- Um advogado responsável por oferecer apoio jurídico.
Os demais denunciados teriam participação considerada secundária nas atividades da organização.
Os nomes dos investigados não foram divulgados.
Estrutura incluía mensalidades e recrutamento
As investigações apontam que o grupo mantinha uma organização estruturada, com regras internas, processo de ingresso de novos integrantes e cobrança de mensalidades obrigatórias.
Segundo o MPSC, os recursos arrecadados eram destinados ao custeio das atividades do grupo, aquisição de materiais de propaganda e manutenção da estrutura da organização.
As apurações também identificaram a produção de camisetas exclusivas e encontros presenciais periódicos voltados à disseminação da ideologia neonazista e ao recrutamento de novos membros.
Investigação aponta disseminação de conteúdos de ódio
De acordo com a denúncia, parte dos integrantes atuava na produção e divulgação de conteúdos de ódio por meio de perfis falsos e fóruns virtuais.
Os materiais promoviam intolerância racial, religiosa, política e sexual, além da defesa de ideias supremacistas.
O Ministério Público afirma ainda que existem indícios de participação de integrantes em episódios de violência física.
Segundo os investigadores, o grupo também teria elaborado dossiês sobre pessoas consideradas adversárias ideológicas, com potencial utilização para atos de intimidação ou retaliação.
Grupo teria organizado patrulhamento e confrontos
As investigações indicam que a organização promovia deslocamentos coordenados para monitoramento de ruas e identificação de pessoas consideradas opositoras aos seus ideais.
Essas ações envolveriam perseguições e possíveis confrontos com indivíduos ou coletivos classificados pelo grupo como antagonistas.
O material reunido pelo Gaeco aponta ainda que os integrantes recebiam orientações sobre segurança digital e operacional para dificultar a identificação dos membros e o rastreamento das atividades pelas autoridades.
Operação cumpriu mandados em quatro estados
A Operação Nuremberg foi realizada em 31 de outubro de 2025 e cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe.
As diligências ocorreram nos municípios de:
- São Paulo (SP)
- Campinas (SP)
- Taboão da Serra (SP)
- Osasco (SP)
- São José dos Pinhais (PR)
- Curitiba (PR)
- Araucária (PR)
- Cocal do Sul (SC)
- Jaraguá do Sul (SC)
- Aracaju (SE)
Durante as buscas, foram apreendidos materiais de apologia ao nazismo, além de armas brancas, facas e socos ingleses.
