Nícola Martins
Administrador público e jornalista com especialização em Jornalismo Político
Foi-se o tempo onde a cada eleição os pais passavam aos filhos as informações sobre em quem deveriam votar, quem era “bom” ou quem era “ruim”. Com o advento das redes sociais, o crescimento dos portais de transparência e as ferramentas de comunicação que nos fazem acompanhar em tempo real o dia a dia de políticos e prováveis candidatos, nossa juventude começou a ser mais protagonista na escolha dos candidatos.
Desde meados dos anos 2000, é comum ouvir pessoas mais experientes comentarem que votaram em um sujeito “porque o filho/neto/sobrinho disse que ele era boa pessoa” ou não havia votado “porque o sujeito havia realizado péssima ação”. O jovem, agora mais conectado e preocupado com o seu futuro, está fiscalizando as ações de parlamentares e governantes, acompanhando seus gastos e trabalhos por meio das redes sociais oficiais.
Outras ferramentas alternativas também ajudam nessa fiscalização, como os portais de notícias, Twitter, blogs e páginas de Facebook independentes que cobram ações dos governantes. Essas páginas também organizam mobilizações, passeatas e manifestações.
Aquela figura do político tradicional, com curral eleitoral e eleitores cegos fieis está cada vez mais ultrapassada. De forma lenta, sim, mas diminuindo.
A fiscalização durante os quatro anos de mandato é ainda maior por parte do eleitor, que cobra mesmo. E qual o próximo passo? Ampliarmos essa fiscalização, divulgando com mais intensidade as informações obtidas.
Portanto, mudou a ordem, cada vez mais os filhos debatem com os pais nomes e ações de candidatos. Concordam, discordam, opinam e formam opinião. E, de acordo com o que muitos pais comentam, eles acabam escolhendo os indicados dos filhos. O principal motivo dessa escolha é a ampla base de informações que os jovens têm, muitas vezes fatos sobre os políticos que, por conta dos portais de transparência e das redes sociais, antigamente ficavam escondidos e hoje estão acessíveis a todos.