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Muitas vezes, o perigo mora em casa

Jailson Vieira
Capivari de Baixo

O abuso sexual infantil é considerado um dos tipos de maus-tratos mais frequentes contra a criança. Atualmente, tem recebido crescente atenção da população e dos governantes. Porém, muitas vezes aqueles que não deveriam cometer qualquer ato ilícito são os que mais praticam, como assegura a conselheira tutelar em Capivari de Baixo, Louizi Eich.

Conforme Louizi, no ano passado foram mais de 15 casos registrados, somente no mês de maio de 2015 foram seis. O número é considerado elevado para uma cidade que possui pouco mais de 23 mil habitantes. “A figura paternal, que muitas vezes também é o avô ou o padrasto, e que deveria proteger, acaba violando o que a criança tem de mais puro, gera nela consequências bastante graves e que, se não tratada, poderá trazer sequelas irreparáveis na fase adulta”, alerta!

A conselheira destaca que o registro de violência sexual no município pelas representantes do conselho é considerado como de violência alto. E, desta forma, vem confirmar a preocupação das agentes com ações de prevenção. O abuso, além de deixar marcas físicas em alguns casos, resulta às vítimas um sofrimento psicológico inexplicável.

“Ao recebermos a denúncia de um suposto abuso sexual, procuramos sempre preservar a imagem da criança, além de encaminhá-las para o atendimento especializado e gratuito, por meio das competentes profissionais do Creas.

Representantes do Ministério Público e da Delegacia Civil também são comunicados e fazem a parte legal e criminal, as quais competem a cada órgão. As escolas e as creches são, na maioria das vezes, a porta de entrada das denúncias”, salienta Louizi.

Situação é agravada por omissão
Além do crime intrafamiliar, os pais devem ficar mais atentos à possibilidade de seus filhos serem assediados pela internet. Conforme, Louizi Eich, com a rede internacional de computadores o acesso (à pornografia infantil) ficou muito mais fácil e as crianças e adolescentes mais vulneráveis.

“Nós, do Conselho Tutelar, temos a grande preocupação com os casos que não chegam e, desta forma, não podemos contabilizar, deixando, assim, estas crianças e adolescentes sem atendimento e vivenciando a dolorosa condição de vítima”, lamenta Louizi.

A conselheira salienta que para tentar diminuir e em algumas situações preventivamente evitar o abuso sexual, o Conselho Tutelar e o Creas realizarão, a partir do próximo dia 18 (Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual), ações que discutam e promovam a conscientização por meio de informações, palestras para que possam atingir o maior número de crianças e adolescentes a fim de esclarecer como pode ser evitado e denunciado o Abuso Sexual.

“Os telefones para denúncia é o Disque 100 ou em Capivari de Baixo, pelo número, (48) 3623-1746. Mas as pessoas podem acionar a Polícia Militar ou Delegacia Civil, bem como ir à sede do Conselho Tutelar, situada na rua João Ernesto Ramos, 465. Lembrando que a denúncia pode ser anônima”, orienta.

Consequências em curto prazo
O que pode ocorrer a uma criança que sofreu abuso
sexual? O papel da família é essencial na recuperação física e emocional da vítima que sofreu o abuso sexual. A atenção que deverá proporcionar a esta criança não deve somente centrar-se no cuidado das suas lesões físicas, mas deve ser acompanhada por outros profissionais para dar-lhe também acompanhamento psicológico.
A criança que sofre ou sofreu algum abuso sexual terá consequências em curto e em longo prazo. O Manual de Prevenção do Abuso Sexual, publicado por Save the Children (Salvem as crianças), mostra as seguintes sequelas.
• Físicas: dores crônicas gerais, hipocondria ou transtornos psicossomáticos, alterações do sono e pesadelos constantes, problemas gastrointestinais, desordem alimentar.
• Comportamentais: tentativa de suicídio consumo de drogas e álcool, transtorno de identidade.
• Emocionais: depressão, ansiedade, baixa autoestima, dificuldade para expressar sentimentos.
• Sexuais: fobias sexuais, disfunções sexuais, falta de satisfação ou incapacidade para o orgasmo, alterações da motivação sexual, maior probabilidade de sofrer estupros e de entrar na prostituição.
• Sociais: problemas de relação interpessoal, isolamento, dificuldades de vínculo afetivo com os filhos.

 

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