É de conhecimento de todos que os impostos em nosso país ultrapassam os coeficientes plausíveis suportáveis por uma família e que esgotam a paciência. Podemos citar também que o descaso do poder público em tais aplicações quanto aos recursos oriundos dos impostos é de tamanha mediocridade, bem como a não aplicação dos mesmos para o bem comum da população. O maior problema do povo brasileiro não é em pagar impostos, por saber que são necessários para: a ordem, o progresso e para o andamento da máquina pública. O que todos estão saturados é em não receber de volta tais recursos e ainda não ter qualidade nos serviços dos governos, sejam eles municipais, estaduais e federais.
Neste artigo, irei me ater apenas em um modelo de descaso. Jaguaruna é uma cidade turística com 37,5 quilômetros de praia, isso mesmo, quase 40 quilômetros de área litorânea, chega a uma população de 150 mil habitantes na alta temporada e têm apenas 49 mil habitantes fixos. Arrecadação anual em Impostos (ISS, R$ 1,8 milhão). Hoje, a arrecadação da prefeitura de Jaguaruna com o IPTU é de aproximadamente R$ 30 milhões por ano. Este número poderia ser ainda maior se houvesse pelo menos uma administração organizada e competente para tal fim. Com um número maior de fiscais, estes números seriam ampliados, pelo simples fato de ter um crescimento desordenado, mas, para suas finalidades atuais, para “eles” está de bom tamanho.
Os impostos têm que existir e devem ser pagos sim, o que não se pode é não aplicá-los em: infraestrutura, estradas, saneamento, coleta de lixo, etc. Podemos perceber estes descasos principalmente nas praias de Campo Bom e Camacho, as principais do município. As ruas são e estão precárias. Em alguns lugares, parecem ambientes do século 19. Justamente nestas praias, as tachas de IPTU foram aumentadas consideravelmente este ano. Grandes números de pessoas que frequentam as praias de Jaguaruna são aqui da região Carbonífera e Amurel, que já estão acostumadas com uma máquina pública que não funciona, porém, o que mais atrapalha são os turistas de outros estados visitam que nossa região e ficam apavorados com tais ambientes de abandono e que de certa forma atrapalham o progresso. Alguns comentários de turistas: “Fiquei 15 dias lá em férias, foi reconfortante. Infelizmente, o acesso a esta praia é difícil mesmo. A impressão que tive foi mesmo um descaso governamental com essa área maravilhosa de turismo. Voltei de lá no dia 19 de janeiro e tinha chovido na noite anterior. O carro em que viajávamos quase ficou atolado na lama que se formara no caminho”; “A prefeitura de Jaguaruna está deixando as praias do município, abandonadas”.
Estes comentários estão presentes em sites que falam sobre praias na internet. Não precisa ler para saber. Quem mora, tem casa e passa as férias lá sabe do abandono que se encontram as praias e a falta de retorno de tais impostos, que não são poucos. As perguntas são: Para onde vai o dinheiro? Que não se vê em obras; Como uma prefeitura pode cuidar, administrar e preservar 37,5 quilômetros de praias? Não conseguem? É triste ser contribuinte em um país que o leite dos impostos serve apenas para amamentar os filhos dos administradores.
Ficar incomodado implica mexer-se; e ser valente é enfrentar o inimigo, firme, teso, de pé; portanto, se ficas incomodado, não ficas parado e foges, mas fugir para onde? É bom poder passar umas boas férias e ter uma casinha na praia, contudo, seria melhor se nossos impostos, pagos o ano inteiro, realmente nos descem o sossego devido nos dois meses que usamos nossas propriedades. O que custa apenas exercer uma administração justa, competente, aplicando os recursos para o bem comum e a paz de todos? Os costumes, cuja excelência torna o governo quase inútil e cuja corrupção o torna quase impossível. Hoje, escrever uma tese sobre arte é o mesmo que escrever algo semelhante à corrupção que o mundo abraça dia após dia e de bom grado e calado. Eu não, por ser brasileiro, criciumense e por amar a vida e uma boa praia.
