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Não é por causa de uma atitude

Calculei mal a velocidade e acabei passando a 45 quilômetros por hora por uma lombada eletrônica que marcava 40Km/h como limite máximo. Olhei para cima e vi que o painel marcador mostrava o meu erro com todas as luzes que tinha direito. Pensei comigo… Ela deve estar orgulhosa de ter feito tão bem o que foi programada para fazer!”. Por um instante, a minha mente brincou comigo e eu quase olho para trás para ver aquela lombada eletrônica olhando para mim de “sobrancelhas levantadas”, com as mãos na cintura e batendo o pezinho como quem diz: “Senhor Silvano, sabe muito bem que isso não é permitido! Que eu não mais pegue o senhor passando por aqui a toda a velocidade. Haverão sérias consequências!”.
 
Segui o meu caminho e ela ficou para trás cumprindo o seu dever, ou seja, apontando excessos, erros e pior de tudo, fazendo-o em público. 
 
Certa vez um amigo me disse: “Às vezes, uma folha caindo é só uma folha caindo e não precisa tirar deste fato uma linda inspirativa”.
 
No meu caso, aquela lombada me inspirou e até que eu chegasse ao meu destino fiquei matutando no que tirar de bom da experiência. Tirei, e agora compartilho com você!
 
Aquele equipamento está parafusado em uma base sólida, mas e se eu o tivesse retirado de lá, colocado-o “sentado” no banco da frente do meu carro? Será que ele mostraria em seu painel, assim como fez com o meu erro, todas as boas atitudes que eu demonstrei antes e depois dele me pegar a 45 por hora?
 
Será que ele indicaria, todo feliz, todas as vezes que eu dei a vez para alguém atravessar a via fora da faixa de pedestres, enquanto que outros nem diminuíam a velocidade? A vez que dei R$ 10,00 de gorjeta para o rapaz que encheu o tanque de gasolina para mim? Ou quando não reclamei de alguém cortando a minha frente abruptamente e tive que frear bruscamente? Não! Isso tudo não teria mostrado! Por que não?
 
Primeiro, porque está fixo em uma base retrograda, que acredita que as pessoas só crescem se os seus erros forem apontados, clara e diretamente para elas e não importa se estiver na presença de outros, o que, muito provavelmente vai ofender ou causar ressentimentos. Também pelo fato de estar confortável em sua posição, ele não vai dar ao trabalho de andar pela empresa ao lado dos seus colaboradores, e apontar as boas atitudes de seu pessoal.
 
Opa! Pensei que estivesse falando da lombada eletrônica e acabei mirando os ditos “líderes” que exercem a função de liderança, mas não fazem uso dela. Perdoem-me!
 
Saia de sua área de segurança, entre na dança com os seus colaboradores e você entenderá melhor os passos de cada um e poderá “corrigi-los”, segurando em uma das mãos com firmeza e apoiando com a outra. Colocar na cintura, levantar as sobrancelhas e apontar o erro diretamente é do tempo da vovozinha! 
 
Se você preferir, aja como um GPS e não uma lombada eletrônica! Que a luz do discernimento e justiça brilhe em sua mente e coração!
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