
Silvana Lucas
Tubarão
Em resposta ao silêncio dos banqueiros, os grevistas continuam em paralisação na região e se reúnem hoje para reforçar o movimento. Para a vice-presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR), Adelcir Lopes, bancária há 32 anos, este encontro não será aberto para todos os grevistas. Com isso, ainda não há data para a reabertura das agências.
Foram chamados somente os diretores mais atuantes para reforçar a greve. “Para fortalecer a nossa causa temos que construir força aos poucos, dia a dia. Pedimos união e participação”, convoca Adelcir.
Dos 45 bancos de abrangência do SEEBTR – com sede em Tubarão -, distribuídos em 16 municípios, quatro voltaram a funcionar ontem, todas do Banco do Brasil: em Santa Rosa de Lima, Grão-Pará, Rio Fortuna e Armazém, mas que segundo Adelcir, essas desistências já eram esperadas. “A expectativa é que amanhã (hoje), essas mesmas agências retornem ao estado de greve”, conta.
Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários em Laguna (que abrange os municípios de Imbituba, Imaruí e a Cidade Juliana), Luis Francisco Cardoso, 12 agências aderem ao movimento grevista, 100% dos bancos. “Tudo dentro do normal. Achamos que ainda nesta semana possa haver maior procura do público nas agências, pois neste período sai o pagamento dos servidores estaduais e todos os professores. Até o momento, a maioria da população concorda com as nossas reivindicações. A greve continua. Vamos aguardar que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nos chame para a negociação, porém ainda não há uma data marcada. Até esta sexta-feira nada muda”, garante Luiz Francisco.
A visão do consumidor, que está dividido em Tubarão
Com a paralisação bancária, alguns serviços ficam impossibilitados de serem realizados. Para Maria Aparecida Masieiro, que trabalha em um frigorífico na região, a greve atrapalhou. “Vim de Pedras Grandes para Tubarão dar entrada em meu Fundo de Garantia (FGTS) e não consegui resolver. Perdi a viagem e saí da agência sem o dinheiro”, lamenta.
Quem tem acesso a outras formas de contato com os bancos pode utilizar os serviços oferecidos. Para o estudante universitário Ramon Mendes, tudo está tranquilo, como se a greve não existisse. “Costumo executar as transações bancárias via online. Vou ao banco somente para sacar dinheiro. Por enquanto, não mudou nada na minha rotina”, garante.
Para a realização de alguns serviços bancários, a direção da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informa que os clientes têm a opção de utilizar os caixas eletrônicos, internet banking, aplicativos no celular, operações bancárias via telefone, casas lotéricas, agências de correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados.
Entre as reivindicações dos bancários estão quase 100 cláusulas sociais, trabalhistas, de condições de trabalho. Os bancários pedem 11,07% de aumento.