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Nas redes sociais: somos consumidores ou produtos?

Você consegue lembrar quem era antes do mundo te dizer quem você deveria ser? (Danielle LaPorte)

Nos dias atuais, reagimos com grande estranheza quando nos deparamos com alguém que não possui um perfil nas redes sociais, pois nossa interpretação automática, é que, quem não está nesses ambientes virtuais está excluído ou privado de um universo de possibilidades. Afinal, as redes nos proporcionam diversão, informação, comunicação, trabalho, compras, cooperação, relacionamentos, projeção, entre outras inúmeras facilidades; tudo na palma da mão e com pouquíssimas restrições.

Mas, será que realmente estamos sendo tratados como consumidores? Ou na verdade somos o conteúdo, o produto das corporações?

Sem dúvida essa não é uma pergunta fácil. Afinal, se por um lado as redes sociais geram muitos benefícios, por outro, criam um universo paralelo bem preocupante.

Muitas pessoas, por exemplo, vivem focadas em alcançar a popularidade de seus perfis através de posts de vídeos e fotos, mostrando muitas vezes uma visão distorcida da sua própria realidade. Outros, passam horas em frente a seus smartphones, criando um ciclo vicioso, que lhes incita a necessidade de estarem conectados o tempo todo.

Além disso, as redes sociais controlam e usam os dados de seus usuários, lhes oferecendo aquilo que, supostamente, lhes é mais adequado e subestimando a vontade e a capacidade de busca e escolha de seus expectadores. Se um perfil do Instagram demonstrar sinais de uma rotina cansativa, por exemplo, é bem provável que o app apresente a ele posts com propagandas de viagens, massagens e outros produtos para revigora-lo. Se evidenciar um gosto por estética, irá receber conteúdos relacionados a beleza, na maioria das vezes a partir de padrões inatingíveis ou totalmente fictícios (cheios de filtros, retoques e luzes e dentro do melhor ângulo), mas que mexem com o imaginário.

Isso sem falar na circulação de Fake News, que estimula o consumo de notícias, fatos e informações falsas, muitas vezes sensacionalistas que não agregam nada à vida em sociedade e ainda colaboram para a formação de uma massa de pessoas acríticas e alienadas.

A princípio, essa personalização não parece prejudicial – na verdade temos a sensação de que está tudo sobre controle – mas ela pode ser muito problemática; afinal, todo esse direcionamento é feito por meio de dados reais que nós mesmos fornecemos, e que são tratados por grandes corporações. É baseado nisso – e em seus próprios interesses obviamente – que elas sugerem o que podemos e devemos ver, ouvir, acreditar e consumir, influenciando enormemente nossa forma de pensar e agir.

Sem dúvida, não é nossa pretensão usar esse espaço fazer uma campanha contra as redes sociais, nem tampouco, condenar seu uso, até porque trata-se de um tema amplo que exorta muitas outras discussões. A intenção, é provocar a reflexão sobre esse cenário, afinal as empresas que gerenciam as redes sociais não estão preocupadas em nos contar o que há por trás delas e nós, infelizmente, não estamos muito interessados em perguntar. Por isso, é importante que fiquemos atentos para que possamos tirar o melhor proveito do que está a nossa disposição, sem, no entanto, nos tornarmos massa de manobra ou pessoas crédulas em realidades que só existem nas telinhas.

 

*Consultora em atividades relacionadas a Inovação e Empreendedorismo, possui Doutorado em Educação Cientifica e Tecnológica, Mestrado em Educação, Graduação em Serviço Social e Graduação em Pedagogia. Estuda as implicações sociais da Ciência e da Tecnologia, no intuito de debater sob uma perspectiva crítica, a equação civilizatória contemporânea e fomentar uma postura reflexiva na sociedade.

 

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