Início Opinião Nova BNCC: o desafio da implementação

Nova BNCC: o desafio da implementação

Maurício da Silva
Professor e mestre em Educação

Homologada pelo Ministério da Educação no dia (20/12/2017), a nova Base Nacional Curricular Comum (BNCC) tem na implementação o seu maior desafio.

O Brasil é pródigo em produzir leis educacionais importantes, mas que raramente são praticadas em sala de aula. Com a nova BNCC poderá ocorrer o mesmo se não houver forte investimento na capacitação e no acompanhamento dos professores e na adequação dos materiais didáticos e avaliações.

A nova Base define o que todo aluno deverá aprender em cada etapa dos ensinos infantil e fundamental, nas escolas públicas e privadas, e antecipa a alfabetização do terceiro para o segundo ano do ensino fundamental.

Objetiva, portanto, descontinuar o que Erick Hanushek, doutor em economia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), chamou de ‘bagunça curricular’: “nove entre dez alunos de escolas públicas não cumprem o currículo previsto, e outros da mesma escola, na mesma série, mas de salas vizinhas, estudam conteúdos completamente diferentes” (Revista Exame – 20/10/2010).

O que torna oportuno perguntar diante do péssimo desempenho dos alunos brasileiros nos certames nacionais e internacionais, abaixo mencionados: Os educandos não aprenderam o que lhes foi ensinado ou não lhes foi ensinado o que (conteúdos) e como (forma) ‘cai’ nos citados certames?

É como se treinassem natação e, no dia da Olimpíada, competissem na modalidade ‘futebol de areia’.

No PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Alunos), os brasileiros obtiveram a 59ª posição entre 70 países avaliados e, na Prova Brasil 2015, apenas 30% dos que concluíram o Ensino fundamental “aprenderam o adequado” em Português e 14% em Matemática.

Em tempos de indústria 4.0, esses estudantes mesmo diplomados, serão potenciais desempregados, vítimas ou autores da crescente violência. A sociedade pagará mais impostos para assisti-los ou para mantê-los encarcerados.

A correção dessa anomalia levou a Gerência regional de Educação (Tubarão-SC), a conquistar, em 2005, “IDH-Educação”, acima da média estadual. Organizaram-se os conteúdos de todas as disciplinas e séries. Criou-se instrumento de avaliação que permite a professores, alunos, pais e direção verificarem se tais conteúdos e atitudes estão sendo trabalhados e coerentemente “cobrados”, bem como as respectivas etapas que o aluno venceu e aquelas que ainda não conseguiu, para serem retrabalhadas imediatamente e com outras metodologias. Organizaram-se vigoroso programa de capacitação para todos os professores (inclusive ‘ACTs’, de todas as escolas) e planejamentos bimestrais, por meio dos quais todos os professores, agrupados por disciplinas ou séries, orientados por monitores, capacitados pela própria Gerência, estudavam e trocavam experiências.

Esse é, contudo, apenas um dos aspectos para que o Ensino, de fato, ensine. Urge também: aumentar as expectativas de aprendizagem, valorizar e reconhecer o esforço, tornar eficaz o reforço, adequar as práticas avaliativa e metodológica, orientar e/ou acionar a participação pedagógica das famílias, resgatar financeira e pedagogicamente o professor e controlar os indicadores educacionais. Não se fez aqui alusão ao acesso e à permanência dos alunos na escola.

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