
Angelica Brunatto
Tubarão
Com medo de perder o que já havia sido pago ao Colégio Energia de Tubarão, mais de 50 pais procuraram a delegacia de polícia ontem. O motivo: muitos deram à instituição de ensino cheques pré-datados e agora querem sustá-los, mas, para isso, necessitam do registro de um boletim de ocorrência.
É o caso do motorista Mário César Custódio. “Minha mulher deu 15 cheques no valor de R$ 580,00 cada”, revela. Ele pretende precaver-se. “Coloquei meu filho na instituição porque era de qualidade”, conta. O motorista também afirma que muitos pais ainda têm dúvidas com o futuro da escola.
A polêmica veio à tona após o colégio da mesma rede fechar as portas em Criciúma. Algumas reuniões entre pais e administração da escola foram realizadas em Tubarão para encontrar soluções aos problemas ocorridos na Cidade Azul.
Isso porque na sexta-feira uma ordem, vinda da direção de Criciúma, mandava que a escola de Tubarão afixasse, em frente à escola, um aviso de que as atividades também seriam encerradas por aqui. Por outro lado, a administração do colégio de Tubarão havia garantido que a instituição não seria fechada, já que não havia ligações empresariais com a outra escola.
Assim, para evitar que os alunos do então Colégio Energia de Tubarão também ficassem desamparados, a Fundação Unisul começou negociações com o Comitê de Pais e Professores da escola. Na tarde de ontem, representantes da escola e da fundação se reuniram para fechar a negociação. Está quase tudo definido. A parceria criaria uma nova escola, ainda sem nome, e manteria os mesmos métodos de ensino já aplicados. Também seriam contratados os 70 professores.
Entenda mais sobre a parceria
Para que a nova escola continue nas mesmas instalações onde estava situado o então Colégio Energia, será feita uma negociação entre a Fundação Unisul e o proprietário do imóvel. Caso isso não seja possível, a Unisul já disponibilizou as suas instalações para receber os quase 800 alunos.
Com a parceria firmada com o Comitê de Pais e Professores, os alunos do novo colégio passarão a usar um novo uniforme e outros materiais didáticos. Os estudantes e professores também terão acesso à infraestrutura da Unisul, como, por exemplo, poder usufruir da biblioteca, laboratórios e internet.
A primeira mensalidade dos alunos matriculado, já paga ao antigo Colégio Energia, não será cobrada pela nova administração. Em nota, a Fundação Unisul informa que não adquiriu o colégio Energia. “Com essa parceria, a Unisul está cumprindo com seu papel educacional, entra num projeto que já contabiliza vitórias e amplia seu leque de serviços”, explica o presidente da fundação, Ailton Nazareno Soares.
Relembre o caso
Na última semana, o Colégio Energia de Criciúma recebeu uma ordem de despejo. A instituição de ensino não estaria pagando os aluguéis desde 2008, o que acarretou em uma dívida de R$ 3,8 milhões.
Muitos pais foram pegos de surpresa com a decisão. Quase dois mil alunos ficaram sem local para estudar. Para ajudar, algumas escolas receberam estudantes, e uma delas chegou a prorrogar a data de início do ano letivo.
Na sexta-feira, uma nota oficial foi emitida pelo colégio, decretando falência. O diretor, Ugo Accasto, que assinou o documento, argumentou que, desde que assumiu a instituição, em 2006, já haviam dívidas.
Todos os objetos, como lousas digitais, aparelhos de ar-condicionado, móveis e computadores, serão deixados no local, à disposição da justiça, que dará o destino para indenizar os prejudicados. Além dos patrimônios da escola de Criciúma, conforme a nota emitida, ainda há cerca R$ 2 milhões em cobranças de pais inadimplentes. Esses valores vão colaborar com a reparação dos prejuízos.