
Angelica Brunatto
Tubarão
Mesmo com o perigo iminente, muita dente parece não estar nem aí. O acidente com o empresário Beto Lima, na semana passada, que caiu de bicicleta da ponte de Congonhas, ainda não conscientizou a maioria dos condutores, que continuam a utilizar a passagem para ir e vir.
A passagem está interditada pelo lado da Cidade Azul há mais de dois anos, mas no local não há nada que impeça a passagem. Segundo o prefeito de Jaguaruna, Inimar Felisbino Duarte, a travessia pelo lado da cidade litorânea está restrita apenas a veículos mais pesados, entretanto, qualquer um pode passar, sem qualquer restrição.
O bairro de Congonhas é uma importante rota para quem deseja chegar às praias com mais “tranquilidade”. É o caso do tintureiro Jânio de Souza, que usa a ponte para chegar mais rápido no Camacho e também para a pesca. Mas ele próprio confessa que tem medo. “A ponte está péssima, balança muito”, justifica.
Só depois do “susto” que o empresário Beto Lima tomou, as autoridades da região voltaram a discutir sobre o assunto. Em reunião na manhã de ontem, ficou decidido que a ponte continua como está, pelo menos até segunda-feira.
“Vamos estar reunidos com engenheiros, de Tubarão, da Amurel e de Jaguaruna, que vão nos dar novo laudo a respeito da situação da ponte”, adianta o prefeito de Tubarão, Manoel Bertoncini.
Mas a Cidade Azul já tem um laudo emitido, com o qual foi constatada a necessidade de interdição da travessia. Segundo o prefeito, só a partir do novo laudo novas decisões serão tomadas.
Convênio será assinado em breve
Para o secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, Haroldo Silva, o Dura, com o novo laudo, a “novela” da ponte de Congonhas deixará de ser uma questão política para se tornar técnica. Na terça-feira, o secretário vai a Florianópolis, juntamente com os deputados Zé Nei Ascari e Dóia Guglielmi, para se reunir com o secretário estadual de infraestrutura, Valdir Cobalchini.
“Vamos levar todas as reportagens, para que ele se sensibilize e possa assinar o convênio, porque o governador Raimundo Colombo já autorizou”, ressalta Dura.
Cada município deverá investir R$ 150 mil e o estado outros R$ 600 mil. O convênio já era para ter sido assinado, mas houve atraso.
“Nem eu e nem o Manoel (Bertoncini) sozinhos temos condições financeiras de construir a ponte e precisamos do governo do estado”, relata o prefeito de Jaguaruna Inimar Felisbino Duarte. A expectativa é que o convênio seja assinado em, no máximo, 15 dias.
O ‘hit’ do momento
A campanha “Cai Aqui, Beto” ganha repercussão maior a cada dia. O trabalho que começou na internet ganha espaço também fora da rede. E esse é um dos objetivos do criador Philippe Alexandrino: fazer com que a campanha seja vista fora das redes sociais. Outro é ajudar a comunidade a resolver os seus problemas fincando placas com a logomarca da campanha para chamar atenção das autoridades.
Tudo começou como uma brincadeira, que aos poucos torna-se séria. A intenção é que todo esse trabalho dê resultados. A ideia surgiu na quarta-feira à tarde, quando Philippe lançou a criação em seu perfil do Facebook. “Queria medir a febre”, explica. Claro que tudo foi feito com autorização do empresário tubaronense Beto Lima. “Achei um humor honesto, um humor sadio”, salienta Beto.
No outro dia pela manhã, a campanha já tinha até uma página própria no Facebook. O empresário acredita que ele pôde expressar a indignação do povo. A campanha “foi uma maneira de dar o grito que eles não tinham como fazer”, avalia.
Beto conta que o telefone não para de tocar e que as pessoas o param na rua para dizer onde ele ‘deve cair’. “Já recebi ligações de Joinville, do Rio, de São Paulo…”, relata. “Achei que ia ficar local e entre os jovens que acessam a internet”, afirma.
Campanha é sucesso dentro e fora da internet.
Do virtual para o real
As mídias sociais são instrumentos cada vez mais frequentes quando se fala em comunicação. É onde todos discutem vários assuntos ao mesmo tempo e geram discussões até mesmo ‘acaloradas’.
Muito ‘hits’ saem do mundo virtual e tomam o mundo real em ‘um piscar de olhos’. O caso mais recente é o da “Luiza, que foi para o Canadá”, e virou famosa em todo o Brasil.
Esses ‘hits’ ganham força, mesmo, quando saem da internet, na hora em que fazem as pessoas discutirem em casa, na rua ou no trabalho. Em Tubarão, o novo hit da internet que ganhou a boca do povo é a campanha ‘Cai Aqui, Beto’.
“O caso do Beto teve uma aceitação muito grande e foi parar em veículos tradicionais”, explica o professor universitário Gutemberg Alves Geraldes Júnior. Isso, segundo o professor, dá direito às pessoas que não têm acesso à rede de saberem o que está acontecendo.
Conforme o criador da campanha tubaronense, Philippe Alexandrino, esta foi uma ideia diferente na região. Eles não querem que a campanha “esfrie” e que a população realmente seja ajudada com respostas e soluções. “A gente quer fazer a cidade melhor”, conta o criador.