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O aborto invisível

Orecente pronunciamento do Ministro da Saúde por diversos canais de televisão, procurando justificar a assinatura da PEC 03/2013, deu uma mancada federal. Apresentou números da redução dos abortos após a liberação da pílula do dia seguinte pela ANS. Está cientificamente comprovado que esta pílula age também como um abortivo. As estatísticas são casos que passaram pelos prontuários dos hospitais, do SUS, pelos procedimentos protocolares. É evidente, neste caso, que houve a redução destes procedimentos, uma vez que a pílula já abortou bem antes no silêncio das casas. Agora, com esta nova condição de uso deste abortivo doméstico, o número verdadeiro deverá aumentar para estratosfera e não o contrário. 
 
A redução eficaz do aborto só será pela educação e conscientização das pessoas (mulheres) e não distribuição de métodos sutis propalados. Nosso ministro faz enorme lobby para as multinacionais. Estas declarações abrem espaços para venderem milhões daquelas pílulas. Está comprovado cientificamente que a reação do organismo da mulher ao tomar aquele (anticoncepcional), faz com que ela gere uma contração intrauterina de inibir ou eliminar qualquer óvulo que esteja dentro. Não faz seleção se ele está fecundado ou não. Simplesmente é expelido.
 
A polêmica no caso de estupro está em evitar e não interromper a gravidez se ocorrer. São coisas bem diferentes. Nada assegura que a pílula, possa fazer esta distinção.
 
Não há como saber, neste caso, se a mulher já expeliu o óvulo ou não. Se não, este contraceptivo agirá como inibidor. Evitará a gravidez. Ponto favorável. Entretanto, se já expeliu o óvulo, então estará livre para ocorrer a fecundação em poucos minutos. Logo, sua expulsão por efeito do remédio será um aborto. A fecundação é o marco da vida.
 
Tecnicamente falando, sendo um anticoncepcional tem um princípio ativo (progestágeno) que impede o embrião (se o espermatozóide conseguir fecundar o óvulo), de se fixar no útero (nidação). Portanto, esta pílula não age somente impedindo a concepção, em caso de falha, age no útero, abortando o embrião há poucas horas formado.
 
O projeto, aparentemente bem intencionado sobre o estupro, aproveita-se para instalar sub-repticiamente o vírus do aborto, por meio de sofismas bem elaborados. O eufemismo de “sexo não consentido” abre portas para práticas do aborto. A mulher com esta intenção, ao procurar um médico alegando de que foi vítima de violência do próprio marido, será a única verdade para o profissional. Não há como comprovar que a ação foi sem consentimento. 
 
Temos aqui um problema crítico: o medicamento que pode impedir a ovulação é o mesmo que pode impedir a implantação nas paredes do útero. O efeito contraceptivo e abortivo está igualmente presente. Por esta lógica a “pílula” é sim abortiva.
 
Este “sim” é o aborto invisível, que não passa nas peneiras das estatísticas oficiais.
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