O dia amanheceu triste na última segunda-feira. Não é para menos, afinal de contas, a cidade de Tubarão perdeu sábado uma lenda, uma figura que marcou e vai ficar para a história de nossa cidade, professor Amadio Vettoretti. O professor, escritor, historiador e diretor do arquivo público e histórico municipal de Tubarão faleceu com 72 anos, na manhã de sábado, no Hospital Nossa Senhora da Conceição, vítima de uma insuficiência hepática.
Não tenho nem palavras para descrever o quão triste fiquei com essa notícia. Como este espaço é destinado à opinião do leitor, venho expressar minha opinião sobre este homem que pouco conheço, mas que muito me marcou.
Faz quase dois anos que sou bolsista no Arquivo Público e, desde o dia em que aqui cheguei, passei a admirar a figura do professor Amadio. Uma pessoa simples, humilde, bem humorada, alegre, inteligente, sagaz, irônica. Lembro que nestes dois anos não houve um dia em que o professor não me tenha tratado com respeito, sempre me tratou como um bom amigo e eu sempre assim o considerei. Sempre lendo seus escritos para a coluna do Notisul antes de enviá-las para dar uma opinião, me lembro dos papos que costumávamos bater. Sempre me admirava o quanto ele tinha de informações gravadas na mente, mas parecendo um computador. Era um excelente historiador, sempre sabendo responder às minhas dúvidas quanto aos fatos até mesmo mais remotos ou não tão importantes da história universal ou regional. Era ótimo trocar ideias sobre literaturas interessantes, filmes bons e principalmente religião, um assunto que eu, particularmente, adorava discutir com ele, e por vezes passávamos longo tempo discutindo esse assunto em sua sala. Segundo ele, eu reprovei no teste de tornar-me um “herege”.
Algo é certo: o professor foi mais que um chefe. Para mim, pelo menos, ele foi um grande amigo, alguém que marcou e que lembrarei para sempre. Um exemplo. Um exemplo de que mesmo aquele que tem uma grande inteligência pode também ser bem humorado, simples, humilde e amigo, passando toda sua inteligência e sabedoria aos outros, sabendo expressar sua opinião, não impondo, mas sim argumentando. Um exemplo de líder amoroso, que, ao invés de simplesmente dar ordens e comandos, importa-se com o funcionário, realmente tratando-o com carinho e resolvendo os problemas a base do diálogo e da compreensão.
De uma coisa podemos ter certeza. Ele não se foi completamente, não. Suas ideias e suas palavras permanecem vivas em nosso mundo, quer seja através de sua obra, quer seja por sua lembrança na mente e no coração daqueles que, como eu, perderam um grande amigo. Tubarão perdeu uma lenda, alguém que fará falta. Alguém que se preocupou e amou tanto essa cidade, e cuja cidade certamente lembrará para sempre com amor do nosso historiador oficial, professor Amadio Vettoretti.
